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31 de julho de 2026

Como prevenir quedas em idosos: um guia prático para casa e saúde

Quedas não são uma consequência inevitável da idade. Veja como revisar ambiente, medicamentos, força, visão e outros fatores que aumentam o risco.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

Quedas são frequentes na velhice, mas não devem ser tratadas como uma consequência inevitável do envelhecimento. Muitas acontecem pela combinação de vários fatores: perda de força, alterações do equilíbrio, medicamentos, queda de pressão, problemas de visão, obstáculos em casa e doenças agudas.

Prevenir uma queda é importante não apenas para evitar fraturas. Depois de cair, algumas pessoas passam a ter medo de andar, reduzem atividades, perdem força e autonomia e entram em um ciclo de maior risco.

Quem merece uma avaliação mais cuidadosa?

Uma queda no último ano, duas ou mais quedas, dificuldade para caminhar, necessidade recente de bengala ou andador, tontura ao levantar e medo intenso de cair são sinais que justificam avaliação. Também merece atenção a pessoa que quase cai repetidamente ou começa a se apoiar nos móveis.

Revise os medicamentos

Alguns medicamentos podem aumentar sonolência, reduzir atenção ou favorecer queda de pressão. O risco não depende apenas de um remédio isolado: combinações e mudanças recentes também importam. Calmantes, hipnóticos e alguns medicamentos que atuam sobre pressão ou sistema nervoso merecem revisão clínica quando há quedas.

Isso não significa suspender remédios por conta própria. A estratégia é revisar indicação, dose, horários, duplicidades e necessidade de continuidade com o profissional responsável.

Observe a pressão ao levantar

Tontura ao sair da cama ou da cadeira pode estar relacionada à hipotensão ortostática. Hidratação insuficiente, medicamentos e algumas doenças podem contribuir. Levantar-se mais devagar pode ajudar em alguns casos, mas sintomas recorrentes exigem investigação.

Força e equilíbrio são parte central da prevenção

Exercícios que trabalham força, equilíbrio e mobilidade podem reduzir risco quando adaptados à capacidade da pessoa. Caminhar é saudável, mas nem sempre é suficiente para corrigir perda de força ou equilíbrio. Fisioterapia ou orientação de profissional habilitado pode ser especialmente útil após quedas, internações ou perda funcional.

Faça uma varredura na casa

Observe o caminho entre cama e banheiro, corredores e locais usados à noite. Tapetes soltos, fios, objetos no chão, pisos escorregadios e iluminação ruim aumentam risco. Barras de apoio devem ser firmes e instaladas de maneira adequada. Corrimãos e iluminação de escadas também merecem atenção.

O objetivo não é transformar a casa em um hospital, e sim retirar riscos desnecessários sem reduzir a autonomia.

Calçados e pés importam

Calçados instáveis, chinelos frouxos, solas muito gastas, dor nos pés e deformidades podem alterar a marcha. O calçado deve ficar firme e ser adequado ao ambiente e à atividade.

Visão e audição também entram na avaliação

Dificuldade para enxergar degraus, obstáculos ou mudanças de piso aumenta o risco. Revisar visão e óculos é importante. Alterações auditivas e vestibulares também podem interferir no equilíbrio de algumas pessoas.

Bengala e andador precisam estar ajustados

Um dispositivo de marcha inadequado ou mal regulado pode não oferecer a segurança esperada. A altura, o modo de uso e a indicação devem ser revisados quando houver insegurança.

Nutrição e massa muscular

Perda de peso, baixa ingestão de proteínas e sarcopenia podem contribuir para fraqueza. Em pessoas com perda de força ou emagrecimento, avaliação nutricional e clínica ajuda a identificar causas tratáveis.

Quando uma queda é urgência?

Procure avaliação imediata se houver perda de consciência, confusão nova, fraqueza de um lado do corpo, dor intensa, deformidade, incapacidade de ficar em pé, sangramento importante ou trauma de cabeça com sinais preocupantes. Pessoas que usam anticoagulantes merecem atenção especial após trauma craniano.

Depois de cair, não investigue apenas o chão

É comum atribuir a queda a um tapete ou tropeço e encerrar a investigação. Às vezes o obstáculo foi apenas a etapa final de uma combinação de fatores. Vale perguntar: houve tontura? desmaio? infecção? mudança de medicamento? piora da visão? perda recente de força?

A prevenção mais eficaz costuma ser multifatorial. Casa segura ajuda, mas deve caminhar junto com força, equilíbrio, revisão de medicamentos, visão, nutrição e avaliação das doenças. O objetivo é manter a pessoa idosa em movimento com mais segurança, e não restringir sua vida por medo de cair.

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Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.