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07 de outubro de 2026

Densitometria em idosos: quando investigar osteoporose e risco de fratura

Nem todo idoso precisa fazer densitometria automaticamente. A investigação depende da idade, do sexo, de fraturas anteriores, quedas, medicamentos, doenças e do estado geral de saúde. Entenda quando conversar com o médico sobre o exame.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

A resposta curta é: não é obrigatório que todo idoso faça densitometria óssea apenas por ter envelhecido. Porém, a investigação deve ser considerada quando a pessoa está em uma faixa etária de maior risco, sofreu uma fratura após uma queda simples, tem quedas recorrentes, usa certos medicamentos ou apresenta condições que podem enfraquecer os ossos.

A densitometria é importante, mas não deve ser analisada sozinha. Na geriatria, o risco de fratura é avaliado junto com força muscular, equilíbrio, visão, marcha, doenças, medicamentos, alimentação e capacidade de realizar as atividades do dia a dia.

Todo idoso precisa fazer densitometria?

Não necessariamente. A decisão costuma levar em conta o risco individual.

De forma geral, a International Society for Clinical Densitometry recomenda considerar o exame para:

  • Mulheres com 65 anos ou mais.
  • Homens com 70 anos ou mais.
  • Adultos que tiveram uma fratura por fragilidade.
  • Pessoas com fatores de risco ou condições associadas à perda de massa óssea.

A densitometria também pode ser indicada antes dessas idades quando há motivos clínicos relevantes. Por isso, não existe uma idade única que sirva para todas as pessoas.

A recomendação pode mudar conforme o país, a diretriz utilizada, o histórico da pessoa e o acesso a outros exames. O mais importante é não transformar a densitometria em um exame automático, nem deixar de investigá-la quando existem sinais de risco.

Quando a idade e o sexo aumentam a necessidade de investigação?

Com o envelhecimento, os ossos podem ficar mais frágeis. Nas mulheres, a perda óssea tende a se acelerar após a menopausa. Nos homens, esse processo costuma ser mais gradual, mas também pode levar à osteoporose e a fraturas.

Por isso, mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 anos frequentemente entram em uma faixa em que vale conversar com o médico sobre a densitometria. Antes disso, o exame pode ser importante se houver outros fatores de risco.

A idade, porém, não deve ser analisada isoladamente. Um idoso ativo, sem quedas, sem fraturas e sem fatores de risco pode ter uma avaliação diferente de outro da mesma idade que perdeu força, caiu várias vezes ou usa medicamentos que afetam os ossos.

Fratura após queda simples pode ser sinal de fragilidade óssea

Uma fratura depois de uma queda da própria altura, de um tropeço ou de um trauma considerado pequeno merece atenção. Esse tipo de acontecimento pode indicar que o osso está mais frágil do que deveria.

Fraturas no quadril, na coluna, no punho e no braço são especialmente importantes na avaliação. Uma fratura vertebral pode passar despercebida, sendo confundida com dor nas costas ou perda de altura.

Em pessoas com fratura por fragilidade, a investigação não deve esperar apenas o resultado da densitometria. A história clínica e os exames de imagem podem apontar um risco importante mesmo quando a densidade óssea não parece tão baixa.

Quedas recorrentes e perda de força também fazem parte da avaliação

A densitometria mede a quantidade de mineral presente em alguns ossos. Ela não mostra, sozinha, se a pessoa vai cair ou se conseguirá se proteger durante uma queda.

Por isso, quedas repetidas, dificuldade para levantar da cadeira, marcha mais lenta, perda de força, tontura e alterações na visão devem ser avaliadas. Esses fatores aumentam a chance de uma fratura, mesmo que a densitometria não indique osteoporose.

Na consulta, o geriatra pode revisar:

  • Equilíbrio e velocidade da marcha.
  • Força das pernas e capacidade de levantar-se.
  • Visão e audição.
  • Iluminação, tapetes e obstáculos dentro de casa.
  • Uso de medicamentos que causam sonolência ou tontura.
  • Doenças neurológicas, cardíacas ou musculares.
  • Peso, alimentação e perda de massa muscular.

Essa análise ajuda a prevenir não apenas a perda óssea, mas também a própria queda.

Por que homens idosos também podem precisar investigar osteoporose?

Osteoporose não é uma doença exclusiva das mulheres. Homens mais velhos também podem apresentar perda óssea e sofrer fraturas importantes.

O risco pode aumentar com o envelhecimento, fraturas anteriores, baixo peso, pouca atividade física, consumo excessivo de álcool, algumas doenças e determinados tratamentos. Por isso, homens com 70 anos ou mais, ou homens mais jovens com fatores de risco, podem precisar de avaliação.

Uma fratura no homem idoso não deve ser considerada simplesmente uma consequência inevitável da idade. Ela pode ser o primeiro sinal de fragilidade óssea.

Condições e medicamentos que podem acelerar a perda óssea

Algumas situações merecem ser informadas ao médico, como:

  • Uso prolongado de corticoides.
  • Doenças da tireoide, intestino, rins ou fígado.
  • Doenças que dificultam a absorção de nutrientes.
  • Câncer ou tratamentos que afetam os hormônios.
  • Baixo peso ou perda de peso sem explicação.
  • Pouca exposição ao sol e baixa ingestão alimentar, quando associadas a outros riscos.
  • Imobilidade ou longos períodos acamado.
  • Histórico familiar de fratura de quadril.

Isso não significa que todo medicamento ou condição causará osteoporose. O ponto é que essas informações ajudam o médico a decidir se a investigação deve ser antecipada ou ampliada.

O que a densitometria mede e quais são suas limitações?

A densitometria, geralmente realizada no quadril e na coluna, estima a densidade mineral dos ossos. É um exame rápido, indolor e com baixa exposição à radiação.

Ela ajuda a identificar baixa densidade óssea e a acompanhar algumas situações ao longo do tempo. Mas o resultado não conta toda a história. O risco de fratura também depende de idade, fratura anterior, quedas, força muscular, equilíbrio, doenças e medicamentos.

Além disso, alterações na coluna, artrose ou outras condições podem dificultar a interpretação do resultado. Em algumas pessoas, o médico pode considerar imagens adicionais para procurar fraturas vertebrais.

Cálcio e vitamina D não são, sozinhos, uma resposta para todos os casos

Cálcio e vitamina D participam da saúde dos ossos, mas não substituem a avaliação do risco de fratura. Nem todo idoso precisa de suplemento, e o uso sem orientação pode ser desnecessário ou inadequado.

A alimentação, a atividade física segura, o fortalecimento muscular e a prevenção de quedas também fazem parte do cuidado. Suplementos devem ser considerados dentro do contexto de cada pessoa, levando em conta alimentação, doenças, exames e medicamentos.

Quando procurar avaliação médica com mais rapidez após uma queda ou fratura?

Procure atendimento com mais urgência se houver:

  • Dor intensa após a queda.
  • Incapacidade de apoiar o peso ou caminhar.
  • Deformidade em um braço ou perna.
  • Dor importante no quadril, na virilha ou nas costas.
  • Queda com batida na cabeça, desmaio ou confusão.
  • Uso de anticoagulantes associado a uma queda.
  • Fratura mesmo após um trauma pequeno.

Mesmo quando a dor melhora, uma fratura por fragilidade deve ser investigada para reduzir o risco de novos eventos.

Quando procurar um geriatra?

A avaliação geriátrica pode ser útil quando o idoso tem quedas repetidas, perdeu força, sofreu fratura, usa muitos medicamentos ou apresenta várias doenças ao mesmo tempo.

O geriatra pode organizar essas informações e ajudar a responder perguntas como: é necessário fazer densitometria agora? Há risco de queda que precisa ser corrigido? Algum medicamento merece revisão? A alimentação e a atividade física estão adequadas? É preciso investigar uma fratura na coluna?

O objetivo não é pedir exames de forma automática. É escolher a investigação e as medidas de prevenção que fazem sentido para aquela pessoa.

Perguntas frequentes

Uma queda sempre indica osteoporose?

Não. Uma queda pode acontecer por muitos motivos. Mas uma fratura após uma queda simples, ou quedas repetidas, merece avaliação do risco ósseo e também das causas da queda.

A densitometria normal significa que não há risco de fratura?

Não necessariamente. O resultado deve ser interpretado junto com idade, histórico de fraturas, equilíbrio, força, doenças e medicamentos.

Um homem de 70 anos precisa fazer densitometria?

Essa é uma idade em que vale conversar com o médico sobre a investigação. A decisão final depende do histórico clínico e de outros fatores de risco.

Quem já teve fratura precisa esperar a densitometria?

Não. Uma fratura por fragilidade já pode indicar risco aumentado e deve ser avaliada clinicamente, mesmo antes ou independentemente do resultado do exame.

Existe uma frequência obrigatória para repetir o exame?

Não há um intervalo único para todos. A repetição depende do resultado anterior, da idade, dos fatores de risco e das decisões tomadas no acompanhamento médico.

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Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.