A resposta curta é: não entregue senha, cartão, código de confirmação, dinheiro, foto de documentos ou dados biométricos a alguém que apareça, ligue ou envie mensagem sem que você tenha confirmado a identidade dessa pessoa. Profissionais e agentes legítimos não devem pressionar o idoso a agir com urgência nem pedir informações bancárias para liberar benefício ou realizar uma suposta prova de vida.
Golpistas usam a confiança que muitas pessoas têm em profissionais de saúde, agentes públicos e instituições conhecidas. O objetivo pode ser obter documentos, selfies, reconhecimento facial, impressão digital, senhas ou códigos para contratar empréstimos e cartões em nome da vítima.
Como funciona o golpe que usa a confiança em agentes ou profissionais de saúde
A abordagem pode ocorrer na porta de casa, por telefone, WhatsApp, videochamada ou redes sociais. A pessoa afirma ser agente de saúde, funcionário do INSS, representante de banco ou profissional responsável por algum benefício.
Ela pode dizer que precisa:
- atualizar o cadastro;
- fazer uma prova de vida;
- liberar um benefício ou medicamento;
- corrigir um pagamento;
- confirmar dados para evitar o bloqueio do benefício;
- realizar uma “biometria” ou tirar uma selfie;
- verificar o cartão ou o celular.
Depois, pede uma foto do RG, CPF ou cartão. Também pode solicitar que o idoso diga um código recebido por SMS, informe a senha, faça uma transferência ou permita acesso remoto ao celular.
O Banco Central alerta que golpes podem usar dados pessoais e reconhecimento facial para tentar contratar empréstimos. Por isso, uma foto aparentemente inocente pode ter consequências importantes quando combinada com outras informações.
Sinais de alerta
Desconfie quando houver:
- urgência ou ameaça, como “faça agora ou perderá o benefício”;
- promessa de dinheiro, benefício, desconto ou atendimento especial;
- pedido de visita inesperada à residência;
- solicitação de foto segurando documento;
- pedido de senha, código de SMS, token ou confirmação no aplicativo;
- pedido do cartão, número completo, código de segurança ou acesso ao celular;
- pedido de impressão digital, reconhecimento facial ou gravação de voz sem explicação clara;
- insistência para que o idoso não conte à família;
- cobrança, transferência ou pagamento para liberar um serviço;
- contato por número desconhecido, mesmo que a pessoa use logotipo, crachá ou uniforme.
Um crachá, uma chamada de vídeo ou o conhecimento de alguns dados do idoso não provam que a pessoa seja legítima.
O que um profissional legítimo não deve pedir
Em geral, não é adequado que um agente ou profissional peça ao idoso:
- senha de banco ou do cartão;
- código recebido por SMS ou aplicativo;
- cartão bancário para “conferência”;
- transferência ou pagamento para liberar benefício;
- acesso ao aplicativo bancário;
- foto do documento sem uma finalidade clara e verificável;
- reconhecimento facial ou impressão digital em aparelho de desconhecido.
Se houver dúvida, encerre a conversa com educação: “Vou confirmar esse procedimento pelos canais oficiais e depois retorno.” Não use o telefone fornecido pela própria pessoa. Procure o número no cartão, no aplicativo oficial, no site do órgão ou em uma conta já conhecida.
Como proteger documentos, celular e biometria
Mantenha RG, CPF, cartão e comprovantes guardados. Evite enviar fotos completas por mensagens. Quando uma cópia for realmente necessária, confirme quem receberá, para qual finalidade e como será armazenada.
Também ajuda:
- Use senhas diferentes para banco, e-mail e celular.
- Não anote senhas no verso do cartão ou em local visível.
- Ative bloqueio de tela e autenticação em duas etapas quando disponível.
- Nunca compartilhe códigos de confirmação.
- Não permita que desconhecidos instalem aplicativos ou controlem o celular.
- Faça atualizações do sistema e dos aplicativos.
- Evite realizar biometria em aparelhos de terceiros sem confirmar o serviço.
- Confira notificações bancárias e extratos com frequência.
- Combine com alguém de confiança uma forma de conferir abordagens suspeitas, sem retirar do idoso o controle das próprias decisões.
Cuidados em visitas, ligações e videochamadas
Em uma visita inesperada, não abra completamente a porta antes de confirmar a identidade. Se necessário, peça nome, instituição e motivo da visita. Ligue para a unidade de saúde, prefeitura, INSS ou banco usando um canal oficial.
Em ligações, não confirme dados só porque a pessoa já sabe seu nome, CPF parcial ou endereço. Em mensagens, não clique em links recebidos sem verificar a origem. Em videochamadas, lembre-se de que a imagem e a voz não garantem autenticidade.
O idoso pode pedir tempo para conversar com um familiar, cuidador ou pessoa de confiança. Isso não é falta de autonomia. É uma medida de segurança.
Se o idoso informou dados, enviou foto ou fez biometria
Aja sem culpa e sem bronca. Quanto mais cedo a reação, melhor. Faça o seguinte:
- interrompa o contato com o suspeito;
- não envie novos documentos ou códigos;
- comunique imediatamente o banco pelos canais oficiais;
- peça orientação para bloquear cartões, acessos ou operações suspeitas;
- troque senhas que possam ter sido expostas;
- verifique extratos, contratos, notificações e descontos no benefício;
- consulte o Registrato, do Banco Central, para verificar empréstimos e contas relacionados ao CPF;
- guarde prints, números de telefone, mensagens, comprovantes e horários;
- registre boletim de ocorrência.
Empréstimo ou desconto consignado não reconhecido: o que fazer
Primeiro, fale com o banco ou a instituição financeira pelos canais oficiais e solicite a contestação da operação. Peça número de protocolo e registre a data, o horário e o nome do atendimento.
No caso de benefício do INSS, também é possível buscar orientação pelo Meu INSS e pelo telefone 135. O serviço oficial “Solicitar Exclusão de Empréstimo Consignado” orienta sobre reclamação, denúncia e pedido de exclusão de empréstimo não reconhecido.
Se o problema não for resolvido, procure o consumidor.gov.br, o Procon ou outro órgão de defesa do consumidor. O Banco Central também orienta registrar a ocorrência e fazer reclamação pelos canais disponíveis. A polícia deve ser procurada para o registro do golpe, especialmente quando houve uso de documentos, fraude ou prejuízo financeiro.
Não faça novos pagamentos ao golpista para “cancelar” o contrato. Não assine documentos sem entender o conteúdo.
Como conversar sem vergonha e sem infantilizar
Golpes podem acontecer com qualquer pessoa. Dizer “como você caiu nisso?” aumenta a vergonha e pode fazer o idoso esconder o problema.
Prefira frases como:
- “Vamos conferir juntos o que aconteceu.”
- “Você fez bem em me contar.”
- “Ninguém deve pedir sua senha ou código.”
- “Vamos proteger sua conta e decidir os próximos passos.”
A rede de proteção deve respeitar a vontade e a privacidade do idoso. É possível combinar regras simples: quem será avisado diante de uma abordagem suspeita, como revisar extratos e quais canais oficiais serão usados. O objetivo é apoiar decisões, não tomar o lugar da pessoa automaticamente.
Quando procurar um geriatra
Procure um geriatra quando houver mudanças recentes de memória, atenção, julgamento, comportamento ou organização financeira. Também vale conversar com o médico se o idoso ficou muito angustiado, envergonhado, isolado ou passou a depender de outras pessoas para tarefas que antes realizava bem.
A avaliação geriátrica pode ajudar a entender necessidades de saúde, comunicação e apoio, sempre preservando a autonomia possível. Suspeita de golpe, porém, também exige contato rápido com banco, órgãos de defesa do consumidor e autoridades.
Perguntas frequentes
Agente de saúde pode pedir meus documentos?
Pode haver situações oficiais em que dados sejam necessários, mas a finalidade e a instituição devem ser confirmadas por canais independentes. Senhas, códigos bancários, cartão e dinheiro não devem ser entregues.
Posso fazer uma selfie para provar que sou eu?
Somente após confirmar diretamente o serviço e o canal oficial. Não faça reconhecimento facial ou envie selfie para uma pessoa que ligou ou apareceu sem agendamento e identificação verificável.
E se o golpista disser que é do INSS?
Não forneça dados nem faça pagamentos. O INSS informa que não liga nem vai à residência para pedir dados pessoais ou pagamento relacionados à prova de vida. Confirme qualquer orientação pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.
O idoso deve deixar de usar celular ou banco digital?
Não. Tecnologia pode ampliar a autonomia. O mais seguro é aprender a reconhecer abordagens suspeitas, usar recursos de proteção e ter uma rede de apoio combinada, sem vigilância excessiva ou retirada automática da independência.
