O inchaço no idoso pode estar relacionado à insuficiência cardíaca, principalmente quando aparece nas duas pernas e vem acompanhado de falta de ar, cansaço ou ganho rápido de peso. Porém, existem várias outras causas possíveis. Por isso, um novo inchaço, uma piora repentina ou sintomas associados precisam de avaliação médica individual.
Por que a insuficiência cardíaca causa inchaço?
A insuficiência cardíaca acontece quando o coração não consegue bombear o sangue de maneira adequada para atender às necessidades do organismo. Isso não significa que o coração tenha parado, mas que está trabalhando com dificuldade.
Nessa situação, o sangue pode circular mais lentamente e favorecer o acúmulo de líquido nos tecidos. Os rins também podem reter mais água e sódio, aumentando esse acúmulo.
O resultado pode ser o chamado edema, percebido principalmente nos pés, tornozelos e pernas. Em alguns casos, o líquido também pode se acumular nos pulmões e provocar falta de ar.
Como costuma ser o inchaço da insuficiência cardíaca?
Não é possível confirmar a causa apenas pela aparência. Ainda assim, algumas características podem aumentar a suspeita de insuficiência cardíaca:
- inchaço nos dois pés, tornozelos ou pernas;
- piora ao longo do dia ou após muito tempo em pé;
- marca deixada pela meia ou pelo calçado;
- pequena depressão na pele depois de pressioná-la com o dedo;
- aumento rápido do peso;
- sensação de pernas pesadas;
- falta de ar ao caminhar ou realizar tarefas habituais;
- dificuldade para respirar ao deitar;
- necessidade de usar mais travesseiros para dormir;
- cansaço fora do habitual.
Esses sinais não aparecem da mesma forma em todas as pessoas. Alguns idosos também podem apresentar redução do apetite, confusão, fraqueza ou menor disposição, sem perceber uma falta de ar intensa.
Quando o inchaço é sinal de alerta?
Procure uma avaliação médica com brevidade quando o inchaço for novo, estiver aumentando ou vier acompanhado de outros sintomas. O cuidado deve ser ainda maior se o idoso já tiver insuficiência cardíaca, infarto prévio, pressão alta, doença renal ou outro problema cardiovascular.
É recomendável buscar atendimento no mesmo dia diante de:
- piora progressiva do inchaço;
- ganho de peso rápido em poucos dias;
- falta de ar maior do que o habitual;
- dificuldade nova para dormir deitado;
- redução importante da urina;
- fraqueza intensa, sonolência ou confusão;
- palpitações ou sensação de coração acelerado;
- piora apesar do tratamento habitual.
O peso pode ajudar no acompanhamento de pessoas que já têm insuficiência cardíaca. A equipe de saúde deve orientar qual variação é preocupante para cada paciente, pois não existe um único limite adequado para todos.
Quando procurar uma emergência?
Algumas situações exigem atendimento imediato. Ligue para o Samu pelo número 192 ou procure uma emergência se o idoso apresentar:
- falta de ar intensa ou dificuldade para falar por causa da respiração;
- dor, pressão ou aperto no peito;
- lábios ou pontas dos dedos azulados ou arroxeados;
- desmaio;
- confusão mental súbita;
- suor frio associado a mal-estar importante;
- tosse com secreção espumosa, especialmente se rosada;
- piora respiratória rápida.
Não espere o inchaço desaparecer sozinho quando houver esses sintomas.
Nem todo inchaço nas pernas vem do coração
O edema no idoso pode ter diferentes causas. Entre elas estão:
- insuficiência venosa e varizes;
- doença nos rins ou no fígado;
- efeitos de alguns medicamentos;
- pouca mobilidade ou longos períodos sentado;
- alterações da tireoide;
- baixa quantidade de proteínas no sangue;
- infecção da pele;
- trombose venosa profunda;
- problemas no sistema linfático.
Quando apenas uma perna incha de forma repentina, principalmente com dor, vermelhidão ou calor local, é necessário procurar atendimento rapidamente. Esses sinais podem ocorrer em casos de trombose ou infecção e não devem ser tratados em casa sem orientação.
Como o médico investiga a causa?
A avaliação começa com uma conversa sobre quando o inchaço apareceu, como evoluiu e quais outros sintomas estão presentes. Também é importante informar as doenças conhecidas e todos os medicamentos usados, incluindo produtos comprados sem receita e suplementos.
Durante o exame físico, o médico pode avaliar o coração, os pulmões, a circulação das pernas, a pressão arterial, a frequência cardíaca e a presença de retenção de líquido.
Conforme o caso, podem ser solicitados exames de sangue e urina, eletrocardiograma, radiografia do tórax ou ecocardiograma. Outros testes podem ser necessários para investigar trombose, alterações renais, hepáticas ou venosas.
A combinação dessas informações permite diferenciar uma descompensação da insuficiência cardíaca de outras causas de inchaço.
O que fazer enquanto aguarda a avaliação?
Se o idoso estiver estável e sem sinais de emergência, algumas medidas simples podem ajudar no acompanhamento:
- observar se o inchaço ocorre em uma ou nas duas pernas;
- anotar quando começou e se piora em algum horário;
- verificar se existe falta de ar, dor, vermelhidão ou febre;
- registrar o peso regularmente, quando isso já tiver sido orientado;
- manter a lista de medicamentos atualizada;
- evitar permanecer muitas horas na mesma posição, se houver segurança para se movimentar.
Não aumente, reduza ou interrompa diuréticos e outros medicamentos por conta própria. Também não é indicado restringir drasticamente líquidos ou sal sem uma orientação individual. Essas mudanças podem causar desidratação, queda da pressão, alterações nos rins e desequilíbrios de minerais no sangue.
Elevar as pernas pode aliviar alguns tipos de edema, mas não substitui a investigação. Meias de compressão também precisam de orientação profissional, pois podem não ser apropriadas quando existem determinados problemas de circulação arterial ou uma insuficiência cardíaca descompensada.
Como familiares podem ajudar?
A família costuma perceber mudanças que o próprio idoso considera parte do envelhecimento. Falta de ar, cansaço e inchaço persistente não devem ser vistos automaticamente como normais da idade.
Os familiares podem ajudar observando alterações na disposição, no sono, na respiração, no peso e no tamanho do calçado. Também é útil acompanhar as consultas, organizar os exames e levar uma lista dos remédios em uso.
Em pessoas com insuficiência cardíaca já diagnosticada, é importante seguir o plano de acompanhamento definido pelo cardiologista, geriatra ou médico assistente. Reconhecer uma mudança cedo pode permitir uma avaliação antes que o quadro se agrave.
Perguntas frequentes
Inchaço nas duas pernas sempre significa insuficiência cardíaca?
Não. Problemas venosos, renais, hepáticos, efeitos de medicamentos e pouca mobilidade também podem causar edema nas duas pernas. A avaliação médica identifica a causa mais provável.
Apertar a pele e ficar uma marca confirma problema no coração?
Não. Essa marca indica presença de edema, mas pode surgir por diferentes motivos. Ela deve ser interpretada junto com os sintomas, o exame físico e, quando necessário, exames complementares.
O idoso pode tomar mais diurético quando as pernas incham?
Não deve alterar o medicamento sem falar com o médico. O uso inadequado pode provocar desidratação, queda de pressão, lesão nos rins e alterações de sódio ou potássio.
Falta de ar e pernas inchadas são uma emergência?
Podem ser. Se a falta de ar for intensa, surgir rapidamente ou vier com dor no peito, confusão, desmaio ou coloração arroxeada, procure uma emergência imediatamente.
Qual médico deve avaliar o inchaço no idoso?
O geriatra, o clínico ou o cardiologista pode iniciar a investigação. A escolha depende das condições do paciente e dos sintomas, mas sinais de gravidade exigem atendimento de emergência.
