O inchaço na perna do idoso pode ser um sinal de alerta, mas não significa necessariamente insuficiência cardíaca. O edema também pode estar relacionado à circulação venosa, aos rins, ao fígado, a medicamentos, à pouca mobilidade, a infecções ou à trombose.
A avaliação se torna mais urgente quando o inchaço começa de repente, afeta apenas uma perna ou vem acompanhado de falta de ar, dor no peito, febre, confusão, dor intensa, vermelhidão ou redução importante da urina. A aparência da perna, sozinha, não permite descobrir a causa.
Quando o inchaço exige atendimento urgente?
Procure avaliação médica no mesmo dia diante de:
- inchaço súbito ou que piora rapidamente;
- apenas uma perna inchada, principalmente com dor, calor ou mudança de cor;
- pele muito vermelha, quente ou dolorida;
- febre, prostração, sonolência ou confusão;
- falta de ar maior do que o habitual;
- dificuldade nova para respirar deitado;
- redução importante da urina;
- ganho rápido de peso acompanhado de piora do edema ou da respiração.
Ligue para o Samu pelo número 192 ou procure uma emergência se houver falta de ar intensa ou súbita, dor ou pressão no peito, desmaio, confusão de início recente, lábios arroxeados ou dificuldade para falar por causa da respiração. Inchaço em uma perna junto com dor no peito ou falta de ar também requer atendimento imediato.
O que pode causar inchaço na perna do idoso?
Entre as causas mais comuns ou relevantes estão:
- Insuficiência venosa: o sangue encontra dificuldade para retornar pelas veias. O inchaço costuma piorar ao longo do dia e pode vir com varizes, peso nas pernas, coceira ou escurecimento da pele perto dos tornozelos.
- Insuficiência cardíaca: pode provocar retenção de líquido, geralmente nas duas pernas, acompanhada de cansaço, falta de ar, dificuldade para dormir deitado ou ganho rápido de peso.
- Doenças renais: podem dificultar a eliminação de água e sódio e causar edema.
- Doenças hepáticas ou redução de proteínas no sangue: também podem favorecer o acúmulo de líquido.
- Medicamentos: alguns anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, hormônios e certos remédios para dor podem contribuir.
- Pouca mobilidade: permanecer muito tempo sentado, em pé ou acamado favorece o inchaço.
- Trombose venosa profunda: costuma causar inchaço novo em uma perna, com ou sem dor, calor e alteração da cor.
- Infecção ou problema linfático: podem causar edema localizado ou persistente.
Em pessoas idosas, é possível haver mais de uma causa ao mesmo tempo. Por isso, a abordagem geriátrica considera as doenças existentes, os medicamentos, a mobilidade, a alimentação e as mudanças na capacidade para as tarefas diárias.
Inchaço em uma perna ou nas duas: o que muda?
Apenas uma perna inchada
O início súbito levanta preocupação com trombose, principalmente se houver dor, sensibilidade, calor ou vermelhidão. A dor, porém, pode não estar presente. Infecção, trauma, insuficiência venosa localizada e alterações linfáticas também são possibilidades.
Não tente esclarecer a causa apenas apertando ou massageando a perna. Quando o edema unilateral é novo, a avaliação médica não deve ser adiada.
As duas pernas inchadas
O edema bilateral é mais frequente em insuficiência venosa, insuficiência cardíaca, doenças renais ou hepáticas, efeitos de medicamentos e pouca mobilidade. Mesmo assim, a distribuição não fecha o diagnóstico: doenças diferentes podem produzir uma aparência semelhante.
Quando o coração pode estar envolvido?
Na insuficiência cardíaca, o coração tem dificuldade para manter a circulação de acordo com as necessidades do organismo. Isso não significa que ele tenha parado. Alterações na circulação e nos rins podem favorecer a retenção de água e sódio, causando edema nos pés, tornozelos e pernas.
A suspeita aumenta quando o inchaço nas duas pernas aparece com falta de ar, cansaço, dificuldade para respirar deitado, necessidade de mais travesseiros ou ganho rápido de peso. Em idosos, a piora pode surgir de forma menos típica, como fraqueza, perda de apetite, confusão ou redução da capacidade de caminhar e tomar banho.
Para entender um exame relacionado ao coração, veja também: NT-proBNP alto no idoso: o que significa e por que a idade muda a interpretação.
Se o idoso já tem insuficiência cardíaca
Quando houver orientação da equipe, a família ou o cuidador pode acompanhar:
- mudança do peso em condições semelhantes;
- piora da falta de ar ou necessidade de mais travesseiros;
- sapatos e meias mais apertados;
- redução da urina;
- maior cansaço, confusão ou dificuldade nas atividades habituais.
A variação de peso considerada preocupante deve ser definida individualmente pela equipe responsável.
Medicamentos podem causar inchaço?
Sim. O edema pode começar após a introdução de um medicamento ou uma mudança no tratamento. Isso não significa que o remédio deva ser interrompido por conta própria.
Também não é seguro aumentar o diurético sem orientação. Nem todo inchaço representa excesso de líquido no organismo, e o uso inadequado pode causar desidratação, queda da pressão, tontura, alterações renais e desequilíbrio de minerais. Leve à consulta uma lista de todos os medicamentos, inclusive os comprados sem receita e os suplementos.
Leia também: Se o inchaço melhorou, preciso continuar tomando diurético para sempre?.
Como o médico investiga a causa?
A avaliação considera quando o edema começou, se afeta uma ou ambas as pernas, como evoluiu, quais sintomas surgiram e quais doenças e medicamentos fazem parte da rotina.
O exame pode incluir coração, pulmões, pele, pulsos e circulação das pernas, além da pressão arterial e da frequência cardíaca. Conforme o caso, podem ser solicitados exames de sangue e urina, eletrocardiograma, radiografia do tórax, ecocardiograma ou ultrassonografia das veias. Nem todos esses exames são necessários para todas as pessoas.
O que fazer enquanto aguarda a avaliação?
Se o idoso estiver estável e sem sinais de emergência:
- anote quando o inchaço começou e como evoluiu;
- observe se ocorre em uma ou nas duas pernas;
- registre falta de ar, dor, febre, vermelhidão e mudanças na urina;
- mantenha atualizada a lista de medicamentos;
- evite longos períodos na mesma posição, se houver segurança para se movimentar.
Elevar as pernas pode aliviar alguns tipos de edema, mas não substitui a investigação. Meias de compressão também precisam de orientação, pois a escolha depende da causa do inchaço e da circulação arterial.
Quando procurar um geriatra?
O geriatra pode ajudar quando o inchaço é persistente ou recorrente, há várias doenças, uso de muitos medicamentos, quedas, tontura, confusão ou piora da mobilidade e da autonomia.
A abordagem geriátrica busca tratar a causa sem perder de vista rins, pressão, cognição, alimentação, funcionalidade e segurança do tratamento. Saiba mais em Idoso com várias doenças: como organizar o cuidado sem tratar cada diagnóstico isoladamente. Sinais de emergência, porém, devem ser avaliados imediatamente, sem esperar uma consulta agendada.
Perguntas frequentes
Inchaço nas duas pernas sempre significa insuficiência cardíaca?
Não. Insuficiência venosa, doenças renais ou hepáticas, medicamentos e pouca mobilidade também podem causar edema bilateral.
Apertar a pele e ficar uma marca confirma problema no coração?
Não. A marca indica a presença de edema depressível, que pode ocorrer por diferentes causas. O diagnóstico depende dos sintomas, do exame médico e, quando necessário, de exames complementares.
O idoso pode tomar mais diurético quando as pernas incham?
Não deve modificar a dose sem orientação. O inchaço pode não ser causado por excesso de líquido, e o ajuste inadequado aumenta o risco de desidratação, pressão baixa e problemas renais.
Falta de ar e pernas inchadas são uma emergência?
Podem ser. Falta de ar intensa ou súbita, dor no peito, desmaio, confusão ou coloração arroxeada exigem atendimento imediato.
Qual médico deve avaliar o inchaço no idoso?
Geriatra ou clínico podem iniciar a investigação. Conforme a causa, pode ser necessário envolver cardiologista, angiologista, nefrologista ou outro especialista.
