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07 de outubro de 2026

O que faz o geriatra e quando procurar esse médico?

O geriatra avalia a pessoa idosa de forma integral, considerando saúde, memória, mobilidade, autonomia, doenças e medicamentos. Saiba quando procurar esse especialista e como se preparar para a consulta.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

O que faz o geriatra e quando procurar esse médico?

O geriatra é o médico que acompanha a saúde da pessoa idosa de forma ampla. Ele não cuida apenas de uma doença. Avalia também memória, humor, sono, força, equilíbrio, quedas, alimentação, autonomia, doenças crônicas e uso de medicamentos.

A geriatria pode ser útil quando há várias condições de saúde ao mesmo tempo, quando a pessoa está perdendo independência ou mesmo quando não existe uma doença específica. O objetivo é ajudar a preservar a funcionalidade e organizar o cuidado de acordo com as prioridades de cada pessoa.

O que é geriatria e qual é o papel do médico geriatra?

A geriatria é a área da medicina dedicada à saúde das pessoas idosas. O geriatra investiga como o envelhecimento, as doenças e os tratamentos estão afetando a vida diária.

Na consulta, ele pode avaliar, por exemplo:

  • memória, atenção e possíveis mudanças no comportamento;
  • humor, ansiedade, tristeza e isolamento;
  • força muscular, equilíbrio e risco de quedas;
  • dificuldade para caminhar ou realizar tarefas do dia a dia;
  • sono, alimentação e perda de peso;
  • doenças como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos e osteoporose;
  • quantidade, necessidade e possíveis riscos dos medicamentos;
  • capacidade de tomar decisões e cuidar de si;
  • rede de apoio, rotina e segurança em casa.

A pergunta não é somente “qual doença a pessoa tem?”. Também é: “o que ela consegue fazer hoje, o que mudou e o que precisa ser protegido?”.

Geriatria e gerontologia são a mesma coisa?

Não. A geriatria é uma especialidade médica. O geriatra pode solicitar exames, avaliar doenças, revisar tratamentos e acompanhar a saúde clínica.

A gerontologia é um campo mais amplo, que estuda o envelhecimento em seus aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais. Profissionais de diferentes áreas podem atuar na gerontologia, como psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros e nutricionistas.

Na prática, esses conhecimentos podem se complementar. O cuidado da pessoa idosa muitas vezes envolve uma equipe.

O geriatra atende pessoas idosas sem doenças?

Sim. Não é preciso esperar surgir um problema grave para procurar avaliação. A consulta pode ajudar a identificar riscos, organizar a prevenção e acompanhar mudanças na funcionalidade.

Uma pessoa idosa aparentemente saudável pode ter dúvidas sobre vacinação, atividade física, alimentação, sono, memória, prevenção de quedas ou uso de medicamentos. Também pode querer planejar o cuidado para manter sua autonomia pelo maior tempo possível.

Envelhecer com saúde não significa necessariamente viver sem nenhuma doença. Significa manter, tanto quanto possível, a capacidade de fazer escolhas e realizar atividades importantes para a própria vida.

Como é a avaliação geriátrica?

A consulta costuma considerar a pessoa como um todo. Além da história clínica e do exame físico, o médico pode perguntar sobre atividades simples, como:

  • tomar banho e se vestir;
  • preparar refeições;
  • caminhar dentro e fora de casa;
  • usar transporte;
  • administrar dinheiro e medicamentos;
  • fazer compras e cuidar da casa;
  • manter contato com familiares e amigos.

Também podem ser abordados memória, humor, sono, audição, visão, continência urinária, alimentação e condições da casa.

Essa avaliação não significa que a pessoa será julgada. Ela serve para entender quais tarefas estão preservadas, quais ficaram mais difíceis e que tipo de apoio pode ser necessário.

Quando procurar um geriatra

Algumas situações merecem uma avaliação geriátrica:

  • quedas ou quase quedas, principalmente quando se repetem;
  • perda de força ou dificuldade para levantar da cadeira;
  • caminhada mais lenta ou insegura;
  • necessidade crescente de ajuda para tarefas habituais;
  • esquecimentos que interferem na rotina;
  • mudança de humor, apatia ou isolamento;
  • perda de peso ou redução importante do apetite;
  • sono ruim ou sonolência durante o dia;
  • uso de muitos medicamentos;
  • várias doenças acompanhadas por diferentes especialistas;
  • alta hospitalar, cirurgia ou período prolongado de repouso;
  • perda recente de independência;
  • dúvidas sobre como organizar os cuidados de um familiar.

Uma queda pode ser um sinal de alteração de força, equilíbrio, visão, pressão, ambiente ou efeito de medicamentos. Por isso, não deve ser vista apenas como “azar” ou uma consequência inevitável da idade. A prevenção de quedas faz parte do cuidado integral da pessoa idosa.

Várias doenças e muitos medicamentos: como o geriatra pode ajudar?

Quando existem vários diagnósticos, cada tratamento pode fazer sentido isoladamente, mas o conjunto pode ficar difícil de administrar. Também podem surgir efeitos colaterais, interações e tratamentos que já não combinam com os objetivos atuais da pessoa.

O geriatra pode ajudar a organizar as prioridades: o que precisa ser tratado agora, o que deve ser acompanhado e quais cuidados podem reduzir riscos. Essa avaliação deve considerar a saúde, a rotina, as preferências e a expectativa da pessoa.

A revisão de medicamentos é uma parte importante. Porém, ninguém deve suspender, reduzir ou trocar remédios por conta própria. Uma mudança sem orientação pode causar problemas. Leve todos os medicamentos para a consulta, inclusive os usados apenas às vezes, vitaminas, chás e suplementos.

Depois de uma internação ou cirurgia

Após uma internação, a pessoa idosa pode voltar para casa mais fraca, confusa ou dependente. Às vezes, a doença inicial melhorou, mas a capacidade de caminhar, tomar banho ou se alimentar ainda não voltou ao nível anterior.

O geriatra pode ajudar a avaliar essa perda de funcionalidade e a organizar os próximos passos com a equipe que for necessária, como fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem ou nutrição. A recuperação deve ser segura e compatível com as condições de cada pessoa.

O que levar para a primeira consulta?

Para aproveitar melhor o encontro, leve:

  • lista atualizada de todos os medicamentos e suplementos;
  • receitas, exames e relatórios recentes;
  • informações sobre doenças e internações anteriores;
  • carteira de vacinação, se disponível;
  • descrição das quedas, esquecimentos ou mudanças recentes;
  • dúvidas anotadas;
  • informações sobre a rotina e as tarefas que ficaram difíceis.

Quando possível, um familiar ou cuidador pode acompanhar. É importante, porém, incluir a pessoa idosa nas conversas e respeitar sua vontade e autonomia.

Quando uma mudança súbita exige atendimento imediato?

Nem toda alteração deve esperar uma consulta de rotina. Confusão mental súbita, desmaio, falta de ar intensa, dor no peito, fraqueza repentina em um lado do corpo, dificuldade súbita para falar, convulsão, sangramento importante ou uma queda com suspeita de fratura exigem atendimento imediato.

Nessas situações, procure um serviço de urgência ou acione o serviço de emergência da sua região. Depois, o geriatra pode ajudar no acompanhamento e na prevenção de novos problemas, quando for apropriado.

Perguntas frequentes

O geriatra substitui outros especialistas?

Não necessariamente. O geriatra pode ajudar a integrar os cuidados, mas a pessoa pode continuar sendo acompanhada por cardiologista, neurologista, endocrinologista ou outros profissionais quando houver indicação.

Existe uma idade certa para começar a ir ao geriatra?

Não há uma idade única para todas as pessoas. A procura pode fazer sentido quando surgem várias doenças, quedas, perda de autonomia, dúvidas sobre medicamentos ou mudanças na memória e na rotina.

O geriatra atende apenas pessoas com demência?

Não. A demência é apenas uma das condições avaliadas. O geriatra também acompanha prevenção, doenças crônicas, mobilidade, quedas, fragilidade, sono, humor, nutrição e funcionalidade.

A família pode marcar a consulta sem a pessoa idosa?

A família pode ajudar a organizar o cuidado, mas a pessoa idosa deve ser envolvida sempre que tiver capacidade para participar das decisões. Respeitar sua autonomia é parte essencial do atendimento.

O que é mais importante contar ao geriatra?

Conte o que mudou na vida diária: uma queda, um esquecimento, dificuldade para caminhar, perda de peso, tristeza, sono ruim ou necessidade de mais ajuda. Essas informações podem ser tão importantes quanto os resultados dos exames.

Procurar um geriatra não significa que a pessoa esteja necessariamente doente. Muitas vezes, significa buscar uma visão mais completa para cuidar melhor da saúde, manter a independência e organizar as decisões com segurança.

Perguntas dos leitores

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Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.