A primeira consulta com o geriatra não precisa ser motivo de preocupação. Para aproveitá-la bem, leve os documentos de saúde disponíveis, uma lista atualizada de todos os medicamentos e anote as principais mudanças percebidas no dia a dia. Também prepare perguntas sobre memória, quedas, sono, alimentação, humor, mobilidade e independência.
O geriatra não avalia apenas doenças isoladas. Ele procura entender como a pessoa está vivendo, o que consegue fazer sozinha, quais riscos existem e quais são seus objetivos de cuidado.
O que levar para a primeira consulta
Organize uma pasta, envelope ou arquivo no celular com:
- Documento de identificação e cartão do SUS ou do plano de saúde, quando aplicável;
- Lista de contatos de familiares ou cuidadores envolvidos no cuidado;
- Relatórios de outros médicos e informações sobre internações, cirurgias e tratamentos anteriores;
- Exames recentes e exames importantes de anos anteriores;
- Carteiras de vacinação, se estiverem disponíveis;
- Informações sobre alergias e reações a medicamentos;
- Registro de pressão, glicemia ou outros dados acompanhados em casa, quando houver;
- Óculos, aparelho auditivo e bengala, se a pessoa usa esses recursos no cotidiano.
Não é preciso levar todos os papéis acumulados durante a vida. Dê preferência aos documentos relacionados às queixas atuais, às doenças acompanhadas e às mudanças recentes.
Como preparar a lista de medicamentos
A lista deve incluir tudo o que a pessoa usa, não apenas os remédios prescritos. Anote, se possível:
- Nome do medicamento ou uma foto da embalagem;
- Para que acredita que ele serve;
- Em que horário costuma usar;
- Quem orientou o uso;
- Se houve esquecimento, interrupção ou troca recente;
- Vitaminas, chás, fitoterápicos, suplementos e remédios comprados sem receita.
Levar as próprias caixas ou fotografias dos rótulos pode ajudar. Evite interromper ou modificar medicamentos antes da consulta apenas para “facilitar” a avaliação. A revisão deve ser feita com orientação profissional.
Essa lista é importante porque, com o passar dos anos, é comum haver vários medicamentos e diferentes profissionais envolvidos. O geriatra pode verificar se há duplicidades, efeitos indesejados, dificuldades para seguir os horários ou tratamentos que precisam ser reavaliados.
O que anotar antes da consulta
Durante alguns dias, registre mudanças que chamaram a atenção. Não é necessário escrever um diário detalhado. Exemplos:
- Esquecimentos novos ou dificuldade para organizar tarefas;
- Quedas, tropeços, tonturas ou medo de caminhar;
- Perda de força ou mudança na velocidade para andar;
- Sono ruim, sonolência durante o dia ou sonhos muito agitados;
- Falta de apetite, perda de peso ou dificuldade para mastigar e engolir;
- Tristeza, irritabilidade, isolamento ou perda de interesse;
- Urgência para urinar, escapes de urina ou alterações no intestino;
- Dificuldade para tomar banho, vestir-se, cozinhar, fazer compras ou cuidar das finanças;
- Falta de ar, dor, inchaço, febre ou outra mudança recente.
Anote quando começou, com que frequência acontece e se está piorando. Também vale registrar o que a pessoa deixou de fazer ou passou a fazer com ajuda. Essas informações mostram como a saúde está afetando a autonomia.
É preciso fazer exames novos antes?
Em geral, não é necessário realizar exames por conta própria antes da primeira consulta. O geriatra poderá analisar os resultados já disponíveis e decidir, junto com a pessoa, se algum exame é realmente necessário.
Exames antigos também podem ser úteis, especialmente para comparar mudanças. Leve resultados de sangue, urina, ultrassonografia, radiografia, tomografia, ressonância, densitometria ou avaliações cardíacas quando tiver relação com o histórico da pessoa.
Mais exames nem sempre significam uma avaliação melhor. A escolha deve considerar sintomas, doenças, medicamentos, funcionalidade e objetivos de cuidado.
O acompanhante deve participar?
Pode ser muito útil levar um familiar, cuidador ou outra pessoa de confiança. O acompanhante pode ajudar a lembrar datas, explicar mudanças observadas e confirmar informações quando a pessoa tiver dificuldade de memória, audição ou comunicação.
Mas a pessoa idosa deve ser incluída na conversa. Sempre que possível, o profissional deve falar diretamente com ela, perguntar o que deseja e respeitar suas escolhas. O acompanhante não deve responder tudo sozinho nem expor informações constrangedoras sem necessidade.
Se houver assuntos delicados, a pessoa pode combinar previamente com o geriatra um momento reservado para conversar. O cuidado deve proteger a segurança sem retirar a autonomia.
Perguntas importantes para fazer ao geriatra
Leve as perguntas anotadas. Algumas sugestões são:
Sobre a avaliação
- O que pode estar causando os sintomas ou mudanças recentes?
- Como está a memória, o humor, o equilíbrio e a capacidade funcional?
- Há algum risco de queda, perda de força ou desnutrição?
- Os medicamentos atuais precisam ser revisados?
- Quais informações devem ser acompanhadas em casa?
Sobre a rotina e a autonomia
- O que pode ajudar a manter a independência?
- É seguro continuar dirigindo, caminhando sozinho ou morando sozinho?
- Que adaptações podem tornar a casa mais segura?
- Há necessidade de fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, fonoaudiologia ou outro apoio?
Sobre o plano de cuidado
- Qual é a prioridade neste momento?
- O que deve ser feito agora e o que pode esperar?
- Que exames ou avaliações são necessários? Por quê?
- Quando será o retorno?
- Quais sinais indicam que devemos entrar em contato antes da próxima consulta?
A organização dos medicamentos do idoso e a prevenção de quedas também podem ser temas importantes para conversar.
O que o geriatra avalia além das doenças?
A avaliação geriátrica pode incluir saúde física, medicamentos, memória, humor, alimentação, mobilidade, equilíbrio, continência, relações sociais e capacidade de realizar atividades do cotidiano. Também considera o ambiente da casa, o apoio disponível e os objetivos da pessoa idosa.
Essa visão ampla ajuda a construir um plano de cuidado mais realista. A Avaliação Geriátrica Ampla é descrita como uma avaliação multidimensional, com atenção aos impactos funcionais, aos medicamentos, ao plano de cuidados, à reabilitação e aos recursos da comunidade. [1]
No atendimento da atenção básica, informações de familiares ou acompanhantes também podem ajudar a confirmar respostas quando necessário. [2] O cuidado integral da pessoa idosa deve ser organizado de forma coordenada, considerando suas necessidades e a rede de atenção disponível. [3]
Quando procurar um geriatra
O geriatra pode ser procurado para acompanhamento da saúde e da autonomia, mesmo quando não existe uma doença específica. Também é especialmente útil diante de:
- Muitas doenças ou muitos medicamentos;
- Quedas ou perda de equilíbrio;
- Esquecimentos que interferem na rotina;
- Perda de peso, força ou disposição;
- Dificuldade crescente para atividades diárias;
- Internações repetidas ou recuperação lenta;
- Dúvidas sobre morar sozinho, dirigir ou precisar de ajuda;
- Necessidade de alinhar cuidados entre diferentes profissionais.
Mudanças súbitas e intensas, como confusão importante, falta de ar, dor no peito, desmaio ou sinais de derrame, exigem atendimento imediato, e não apenas uma consulta de rotina.
FAQ
A primeira consulta precisa ser acompanhada por um familiar?
Não necessariamente. A decisão deve respeitar a vontade e a capacidade da pessoa idosa. O acompanhante pode ajudar, mas não deve substituir sua voz.
Posso levar uma lista escrita à mão?
Sim. O mais importante é que esteja completa e atualizada. Fotos das caixas também podem ajudar.
E se eu não souber explicar os sintomas?
Anote exemplos concretos: o que mudou, quando começou, quantas vezes acontece e como afeta a rotina.
O geriatra vai pedir muitos exames?
Não obrigatoriamente. Os exames devem ser escolhidos conforme a história, o exame clínico, os medicamentos, a funcionalidade e as prioridades da pessoa.
Como terminar a consulta com segurança?
Antes de sair, confirme o plano: o que fazer, o que não fazer, quais exames ou encaminhamentos foram indicados, quando retornar e quais sinais exigem contato antecipado. Se possível, repita as orientações com suas próprias palavras para ter certeza de que tudo ficou claro.
