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12 de outubro de 2026

Primeira consulta com o geriatra: o que levar e o que perguntar

Saiba como preparar a primeira consulta com o geriatra: documentos, medicamentos, exames, sintomas, participação do acompanhante e perguntas importantes sobre a saúde e a autonomia da pessoa idosa.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

A primeira consulta com o geriatra não precisa ser motivo de preocupação. Para aproveitá-la bem, leve os documentos de saúde disponíveis, uma lista atualizada de todos os medicamentos e anote as principais mudanças percebidas no dia a dia. Também prepare perguntas sobre memória, quedas, sono, alimentação, humor, mobilidade e independência.

O geriatra não avalia apenas doenças isoladas. Ele procura entender como a pessoa está vivendo, o que consegue fazer sozinha, quais riscos existem e quais são seus objetivos de cuidado.

O que levar para a primeira consulta

Organize uma pasta, envelope ou arquivo no celular com:

  • Documento de identificação e cartão do SUS ou do plano de saúde, quando aplicável;
  • Lista de contatos de familiares ou cuidadores envolvidos no cuidado;
  • Relatórios de outros médicos e informações sobre internações, cirurgias e tratamentos anteriores;
  • Exames recentes e exames importantes de anos anteriores;
  • Carteiras de vacinação, se estiverem disponíveis;
  • Informações sobre alergias e reações a medicamentos;
  • Registro de pressão, glicemia ou outros dados acompanhados em casa, quando houver;
  • Óculos, aparelho auditivo e bengala, se a pessoa usa esses recursos no cotidiano.

Não é preciso levar todos os papéis acumulados durante a vida. Dê preferência aos documentos relacionados às queixas atuais, às doenças acompanhadas e às mudanças recentes.

Como preparar a lista de medicamentos

A lista deve incluir tudo o que a pessoa usa, não apenas os remédios prescritos. Anote, se possível:

  • Nome do medicamento ou uma foto da embalagem;
  • Para que acredita que ele serve;
  • Em que horário costuma usar;
  • Quem orientou o uso;
  • Se houve esquecimento, interrupção ou troca recente;
  • Vitaminas, chás, fitoterápicos, suplementos e remédios comprados sem receita.

Levar as próprias caixas ou fotografias dos rótulos pode ajudar. Evite interromper ou modificar medicamentos antes da consulta apenas para “facilitar” a avaliação. A revisão deve ser feita com orientação profissional.

Essa lista é importante porque, com o passar dos anos, é comum haver vários medicamentos e diferentes profissionais envolvidos. O geriatra pode verificar se há duplicidades, efeitos indesejados, dificuldades para seguir os horários ou tratamentos que precisam ser reavaliados.

O que anotar antes da consulta

Durante alguns dias, registre mudanças que chamaram a atenção. Não é necessário escrever um diário detalhado. Exemplos:

  • Esquecimentos novos ou dificuldade para organizar tarefas;
  • Quedas, tropeços, tonturas ou medo de caminhar;
  • Perda de força ou mudança na velocidade para andar;
  • Sono ruim, sonolência durante o dia ou sonhos muito agitados;
  • Falta de apetite, perda de peso ou dificuldade para mastigar e engolir;
  • Tristeza, irritabilidade, isolamento ou perda de interesse;
  • Urgência para urinar, escapes de urina ou alterações no intestino;
  • Dificuldade para tomar banho, vestir-se, cozinhar, fazer compras ou cuidar das finanças;
  • Falta de ar, dor, inchaço, febre ou outra mudança recente.

Anote quando começou, com que frequência acontece e se está piorando. Também vale registrar o que a pessoa deixou de fazer ou passou a fazer com ajuda. Essas informações mostram como a saúde está afetando a autonomia.

É preciso fazer exames novos antes?

Em geral, não é necessário realizar exames por conta própria antes da primeira consulta. O geriatra poderá analisar os resultados já disponíveis e decidir, junto com a pessoa, se algum exame é realmente necessário.

Exames antigos também podem ser úteis, especialmente para comparar mudanças. Leve resultados de sangue, urina, ultrassonografia, radiografia, tomografia, ressonância, densitometria ou avaliações cardíacas quando tiver relação com o histórico da pessoa.

Mais exames nem sempre significam uma avaliação melhor. A escolha deve considerar sintomas, doenças, medicamentos, funcionalidade e objetivos de cuidado.

O acompanhante deve participar?

Pode ser muito útil levar um familiar, cuidador ou outra pessoa de confiança. O acompanhante pode ajudar a lembrar datas, explicar mudanças observadas e confirmar informações quando a pessoa tiver dificuldade de memória, audição ou comunicação.

Mas a pessoa idosa deve ser incluída na conversa. Sempre que possível, o profissional deve falar diretamente com ela, perguntar o que deseja e respeitar suas escolhas. O acompanhante não deve responder tudo sozinho nem expor informações constrangedoras sem necessidade.

Se houver assuntos delicados, a pessoa pode combinar previamente com o geriatra um momento reservado para conversar. O cuidado deve proteger a segurança sem retirar a autonomia.

Perguntas importantes para fazer ao geriatra

Leve as perguntas anotadas. Algumas sugestões são:

Sobre a avaliação

  • O que pode estar causando os sintomas ou mudanças recentes?
  • Como está a memória, o humor, o equilíbrio e a capacidade funcional?
  • Há algum risco de queda, perda de força ou desnutrição?
  • Os medicamentos atuais precisam ser revisados?
  • Quais informações devem ser acompanhadas em casa?

Sobre a rotina e a autonomia

  • O que pode ajudar a manter a independência?
  • É seguro continuar dirigindo, caminhando sozinho ou morando sozinho?
  • Que adaptações podem tornar a casa mais segura?
  • Há necessidade de fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, fonoaudiologia ou outro apoio?

Sobre o plano de cuidado

  • Qual é a prioridade neste momento?
  • O que deve ser feito agora e o que pode esperar?
  • Que exames ou avaliações são necessários? Por quê?
  • Quando será o retorno?
  • Quais sinais indicam que devemos entrar em contato antes da próxima consulta?

A organização dos medicamentos do idoso e a prevenção de quedas também podem ser temas importantes para conversar.

O que o geriatra avalia além das doenças?

A avaliação geriátrica pode incluir saúde física, medicamentos, memória, humor, alimentação, mobilidade, equilíbrio, continência, relações sociais e capacidade de realizar atividades do cotidiano. Também considera o ambiente da casa, o apoio disponível e os objetivos da pessoa idosa.

Essa visão ampla ajuda a construir um plano de cuidado mais realista. A Avaliação Geriátrica Ampla é descrita como uma avaliação multidimensional, com atenção aos impactos funcionais, aos medicamentos, ao plano de cuidados, à reabilitação e aos recursos da comunidade. [1]

No atendimento da atenção básica, informações de familiares ou acompanhantes também podem ajudar a confirmar respostas quando necessário. [2] O cuidado integral da pessoa idosa deve ser organizado de forma coordenada, considerando suas necessidades e a rede de atenção disponível. [3]

Quando procurar um geriatra

O geriatra pode ser procurado para acompanhamento da saúde e da autonomia, mesmo quando não existe uma doença específica. Também é especialmente útil diante de:

  • Muitas doenças ou muitos medicamentos;
  • Quedas ou perda de equilíbrio;
  • Esquecimentos que interferem na rotina;
  • Perda de peso, força ou disposição;
  • Dificuldade crescente para atividades diárias;
  • Internações repetidas ou recuperação lenta;
  • Dúvidas sobre morar sozinho, dirigir ou precisar de ajuda;
  • Necessidade de alinhar cuidados entre diferentes profissionais.

Mudanças súbitas e intensas, como confusão importante, falta de ar, dor no peito, desmaio ou sinais de derrame, exigem atendimento imediato, e não apenas uma consulta de rotina.

FAQ

A primeira consulta precisa ser acompanhada por um familiar?

Não necessariamente. A decisão deve respeitar a vontade e a capacidade da pessoa idosa. O acompanhante pode ajudar, mas não deve substituir sua voz.

Posso levar uma lista escrita à mão?

Sim. O mais importante é que esteja completa e atualizada. Fotos das caixas também podem ajudar.

E se eu não souber explicar os sintomas?

Anote exemplos concretos: o que mudou, quando começou, quantas vezes acontece e como afeta a rotina.

O geriatra vai pedir muitos exames?

Não obrigatoriamente. Os exames devem ser escolhidos conforme a história, o exame clínico, os medicamentos, a funcionalidade e as prioridades da pessoa.

Como terminar a consulta com segurança?

Antes de sair, confirme o plano: o que fazer, o que não fazer, quais exames ou encaminhamentos foram indicados, quando retornar e quais sinais exigem contato antecipado. Se possível, repita as orientações com suas próprias palavras para ter certeza de que tudo ficou claro.

Perguntas dos leitores

Ficou com alguma dúvida?

Envie uma pergunta. Dúvidas de interesse geral podem inspirar um novo artigo do blog, sempre após pesquisa e revisão editorial.

Não envie nome de paciente, exames, documentos ou outras informações pessoais de saúde. A pergunta poderá ser adaptada e anonimizada para conteúdo educativo e não substitui avaliação médica individual.

Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.