O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, acontece quando o vírus da varicela, que permanece no organismo depois da catapora, volta a se ativar. O risco aumenta com a idade porque a resposta imune contra esse vírus diminui ao longo dos anos. Por isso, a prevenção ganha importância especial depois dos 50.
A vacina é recomendada para pessoas idosas?
Sim. A Sociedade Brasileira de Imunizações inclui a vacina recombinante contra herpes-zóster no calendário da pessoa idosa. O esquema habitual é de duas doses. A recomendação precisa ser individualizada quando há doença aguda, imunossupressão, tratamento oncológico ou outra condição clínica relevante.
A vacina utilizada atualmente é não viva. Isso é particularmente importante porque permite seu uso em muitos pacientes imunocomprometidos, sempre com avaliação do melhor momento para vacinar.
Quem já teve herpes-zóster também pode se vacinar?
Pode. Ter tido um episódio não garante proteção permanente contra uma nova crise. A SBIm recomenda vacinação mesmo para quem já apresentou herpes-zóster. Em geral, sugere-se aguardar um período após a resolução do quadro; o intervalo pode ser ajustado conforme o risco individual e a possibilidade de perda da oportunidade de vacinação.
Por que prevenir o herpes-zóster é importante depois dos 50?
Além das lesões dolorosas na pele, algumas pessoas desenvolvem dor persistente depois que as lesões desaparecem, chamada neuralgia pós-herpética. Essa complicação pode afetar sono, mobilidade, humor e qualidade de vida. O risco de complicações cresce com o envelhecimento e com situações que reduzem a imunidade.
Também podem ocorrer acometimento ocular, infecção das lesões e, mais raramente, manifestações neurológicas. Por isso, a prevenção não se resume a evitar alguns dias de desconforto.
São duas doses?
O esquema recomendado pela SBIm é de duas doses. O intervalo exato e eventuais ajustes devem seguir a orientação vigente e a condição clínica de cada pessoa. Quem está prestes a iniciar imunossupressão, por exemplo, pode precisar de planejamento específico.
A vacina está disponível no SUS?
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde tornou pública a decisão de não incorporar ao SUS a vacina recombinante contra herpes-zóster para idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos a partir de 18 anos na avaliação então realizada. Portanto, a recomendação clínica da vacinação e a disponibilidade na rede pública são questões diferentes: uma vacina pode ser recomendada por sociedades médicas e ainda não fazer parte da oferta rotineira do SUS.
Como políticas de incorporação podem mudar, vale confirmar a situação atual na unidade de saúde ou com o médico assistente.
Existe contraindicação?
A vacinação deve ser adiada em caso de doença aguda importante. História de reação alérgica grave a componente da vacina exige avaliação médica. Em pessoas com doenças autoimunes, câncer, transplante ou uso de medicamentos imunossupressores, o principal ponto costuma ser escolher o momento adequado.
Reações locais como dor, vermelhidão e inchaço podem ocorrer. Sintomas sistêmicos transitórios, como cansaço e mal-estar, também são possíveis.
Quando conversar com um geriatra
A revisão do calendário vacinal é especialmente útil quando a pessoa usa muitos medicamentos, possui várias doenças crônicas, já teve herpes-zóster, está em tratamento que altera a imunidade ou não sabe quais vacinas recebeu. O objetivo é organizar a prevenção de forma integrada, e não analisar uma vacina isoladamente.
Perguntas frequentes
Quem teve catapora pode tomar?
Sim. Na verdade, a grande maioria das pessoas adultas já teve contato com o vírus da varicela, mesmo que não se lembre.
Quem já teve cobreiro precisa vacinar?
A vacinação continua recomendada porque o herpes-zóster pode recorrer.
Posso tomar junto com outras vacinas?
A vacina recombinante pode ser administrada concomitantemente com várias vacinas do adulto, conforme orientação profissional.
Preciso fazer exame antes?
Na rotina, não é necessário fazer sorologia apenas para decidir a vacinação contra herpes-zóster.
A decisão final deve considerar idade, condições de saúde, tratamentos em curso e histórico vacinal.
