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16 de agosto de 2026

Vacinas do idoso em 2026: o que precisa estar em dia?

O calendário de vacinação da pessoa idosa foi atualizado em 2026. Veja quais vacinas precisam ser conferidas, com que frequência algumas delas são aplicadas e quando procurar a UBS.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

A partir dos 60 anos, manter a vacinação em dia faz parte do cuidado de rotina. Em 2026, o Calendário Nacional de Vacinação da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde orienta a atualização de vacinas como influenza, covid-19, hepatite B, difteria e tétano e, em situações específicas, febre amarela e outras vacinas conforme histórico e condições clínicas.

A recomendação não é decorar todas as doses em casa, mas levar os cartões de vacinação à Unidade Básica de Saúde (UBS) para conferir o que está faltando. O calendário muda ao longo do tempo e algumas indicações dependem de histórico vacinal, local de residência, profissão, condição de saúde e risco epidemiológico.

Quais vacinas fazem parte do calendário da pessoa idosa com distribuição gratuita no SUS?

Segundo o calendário nacional atualizado em julho de 2026, pessoas a partir de 60 anos devem revisar especialmente:

  • influenza trivalente: uma dose anual com a vacina da temporada;
  • covid-19: uma dose semestral para pessoas com 60 anos ou mais;
  • hepatite B: três doses, conforme o histórico vacinal;
  • dT (difteria e tétano): esquema conforme histórico, com reforços periódicos após o esquema completo;
  • febre amarela: pode ser indicada conforme histórico vacinal e avaliação de risco-benefício, especialmente quando há risco epidemiológico;
  • outras vacinas podem ser recomendadas para grupos específicos, como pessoas institucionalizadas, indígenas, trabalhadores da saúde ou pessoas com condições clínicas especiais.

Idoso precisa tomar vacina da gripe todo ano?

Sim. A vacina contra influenza é atualizada para acompanhar as cepas que circulam em cada temporada, por isso a proteção deve ser renovada anualmente.

A gripe pode causar quadros mais graves em pessoas idosas, especialmente quando há doenças cardíacas, pulmonares, diabetes, fragilidade ou imunidade comprometida. Mesmo quem já teve gripe anteriormente continua tendo indicação de vacinação anual.

E a vacina contra covid-19?

No calendário nacional de 2026, pessoas com 60 anos ou mais têm indicação de dose semestral da vacina contra covid-19. O objetivo é reduzir o risco de formas graves, hospitalização e morte.

É comum haver dúvida porque as recomendações mudaram desde o início da pandemia. Por isso, o melhor é conferir a data da última dose na UBS. Se o cartão estiver incompleto ou perdido, a equipe de vacinação pode orientar como reconstruir o histórico disponível nos sistemas de saúde.

Hepatite B ainda precisa ser revista depois dos 60?

Sim. A vacina contra hepatite B continua no calendário da pessoa idosa e deve ser feita conforme o histórico vacinal. Quem já completou corretamente o esquema não precisa reiniciá-lo apenas por causa da idade.

Quando há dúvida sobre doses anteriores, a UBS pode verificar registros disponíveis e orientar o esquema adequado.

Como funciona a vacina contra tétano e difteria?

A vacina dT protege contra difteria e tétano. Para quem ainda não completou o esquema básico, é necessário regularizá-lo conforme orientação do serviço de saúde. Após o esquema completo, o Ministério da Saúde recomenda reforço periódico, em geral a cada dez anos, podendo haver antecipação em situações específicas de risco.

Essa informação é especialmente importante para idosos que não lembram quando tomaram a última dose ou que passaram muitos anos sem revisar o cartão.

Febre amarela é obrigatória para todo idoso?

Não. Em pessoas idosas, a decisão sobre febre amarela exige atenção ao histórico vacinal e ao risco de exposição. A recomendação pode variar conforme residência, viagem para área de risco e condições clínicas.

Como é uma vacina de vírus vivo atenuado, a avaliação de risco-benefício é particularmente importante em algumas pessoas com 60 anos ou mais. Portanto, não é adequado simplesmente procurar uma dose sem considerar o contexto individual.

Vacina pneumocócica é para todos os idosos pelo SUS?

A vacinação pneumocócica pelo SUS tem indicações específicas para determinados grupos, como alguns idosos institucionalizados, acamados ou com condições clínicas previstas nos critérios dos serviços de referência. As recomendações também podem variar conforme histórico vacinal e situação clínica.

Por isso, se houver doença pulmonar crônica, cardiopatia, diabetes, imunossupressão, asplenia, doença renal ou outras condições relevantes, vale perguntar diretamente à equipe de saúde se existe indicação de vacina pneumocócica no calendário regular ou nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

O que levar à UBS?

Leve tudo que puder ajudar a reconstruir o histórico:

  • cartão ou caderneta de vacinação atual;
  • cartões antigos, mesmo incompletos;
  • documento de identificação;
  • lista de doenças e medicamentos;
  • informação sobre alergias ou reações vacinais anteriores;
  • comprovantes de vacinação de campanhas recentes, quando disponíveis.

Não é preciso adiar a ida à UBS porque o cartão está perdido. A equipe pode consultar registros eletrônicos disponíveis e orientar os próximos passos.

É seguro tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

Muitas vacinas podem ser administradas no mesmo atendimento, em locais diferentes do corpo, desde que não haja contraindicação específica. A decisão depende do calendário e da avaliação feita pela equipe de vacinação.

Ter várias vacinas indicadas não significa que o organismo ficará “sobrecarregado”. O objetivo é aproveitar oportunidades de vacinação, especialmente em pessoas com dificuldade de locomoção ou acesso ao serviço.

Quando adiar a vacinação?

Quadros leves, como resfriado sem febre importante, nem sempre impedem vacinação. Já situações como doença aguda moderada ou grave, reação alérgica grave anterior a componente da vacina ou condições de imunossupressão podem exigir avaliação específica.

Cada imunizante tem contraindicações próprias. Por isso, conte à equipe da UBS sobre doenças atuais, uso de imunossupressores, tratamentos oncológicos e reações vacinais anteriores.

Quando procurar um geriatra

O geriatra pode ajudar a revisar vacinação junto com outros aspectos do cuidado, como medicamentos, doenças crônicas, nutrição, mobilidade e prevenção de infecções. Isso é particularmente útil em idosos frágeis, com múltiplas doenças ou histórico vacinal confuso. Existem outras vacinas que estão em clínicas privadas que devem ser indicadas também.

Perguntas frequentes

A vacina da gripe precisa ser tomada todos os anos?

Sim. O calendário recomenda uma dose por temporada para pessoas idosas.

A vacina contra covid-19 ainda é necessária em 2026?

Sim. Pessoas com 60 anos ou mais permanecem como grupo prioritário e têm indicação semestral no calendário nacional vigente.

Perdi meu cartão de vacinação. O que faço?

Procure uma UBS. A ausência do cartão não deve impedir a revisão do esquema.

Posso tomar vacina se uso muitos medicamentos?

Na maioria das vezes, sim, mas alguns tratamentos imunossupressores ou condições clínicas podem mudar a indicação de determinadas vacinas. Informe todos os medicamentos à equipe.

Manter a vacinação atualizada é uma medida simples que pode evitar doenças graves e internações. A melhor estratégia é revisar o cartão pelo menos uma vez por ano e sempre que houver mudança relevante no calendário ou na condição de saúde.

Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.