As quedas dentro de casa podem ser reduzidas com mudanças simples, mas não existe uma medida capaz de eliminar completamente o risco. O mais seguro é combinar uma casa organizada com uma avaliação da marcha, do equilíbrio, da visão, da força, da tontura e dos medicamentos quando necessário.
Uma queda raramente acontece por um único motivo. Um tapete solto pode se tornar muito mais perigoso quando a pessoa também enxerga pouco, levanta-se rapidamente, usa um calçado instável ou toma medicamentos que causam sonolência. Por isso, a prevenção precisa olhar para o ambiente e para a saúde da pessoa idosa.
Comece por uma checagem da casa
Faça o percurso que a pessoa costuma realizar durante o dia e à noite. Observe o caminho entre a cama, o banheiro, a cozinha e a sala. Pergunte:
- Há objetos, fios ou móveis estreitando a passagem?
- É possível enxergar bem o chão?
- Existem tapetes soltos ou pisos escorregadios?
- A pessoa precisa subir em banco ou cadeira para alcançar algo?
- Há apoio firme onde ela costuma sentar, levantar ou tomar banho?
Se possível, peça que a própria pessoa idosa participe da checagem. Ela sabe quais locais causam insegurança e quais tarefas estão ficando mais difíceis.
Banheiro: um dos locais que mais exige atenção
No banheiro, a combinação de água, piso escorregadio, mudanças de posição e pouca estabilidade aumenta o risco de queda. Algumas medidas ajudam:
- Instalar barras de apoio bem fixadas, adequadas à parede e ao uso da pessoa.
- Preferir piso menos escorregadio e manter o chão seco.
- Usar banco ou cadeira de banho apropriado, firme e com altura segura, quando necessário.
- Melhorar a iluminação, inclusive perto da entrada do banheiro.
- Evitar apoiar-se em toalheiros, pias ou objetos que possam se soltar.
- Ter cuidado ao entrar e sair do boxe. Não é preciso fazer movimentos rápidos.
Barras instaladas apenas por aparência, sem fixação adequada, podem não suportar o peso do corpo. Em caso de dúvida, vale buscar orientação profissional para adaptar o banheiro.
Retire tapetes, fios e objetos do caminho
Tapetes pequenos, passadeiras soltas, fios de extensão, brinquedos, sapatos e caixas podem provocar tropeços. O ideal é:
- Retirar tapetes que não sejam necessários.
- Prender fios junto à parede, sem atravessar áreas de passagem.
- Manter corredores e portas livres.
- Guardar objetos assim que terminarem de ser usados.
- Evitar móveis baixos ou objetos que dificultem enxergar o chão.
Não basta avisar “olhe por onde anda”. A casa deve facilitar uma caminhada segura, especialmente para quem tem dificuldade de levantar os pés ou anda mais devagar.
Iluminação segura, principalmente à noite
A visão pode demorar a se adaptar quando a pessoa sai do escuro para um ambiente claro. Por isso, é importante ter luz suficiente no quarto, no corredor e no banheiro.
Uma luz de presença pode ajudar a iluminar o caminho entre a cama e o banheiro. O interruptor ou outro recurso de iluminação deve estar ao alcance, sem exigir que a pessoa caminhe no escuro. Também é importante evitar lâmpadas que produzam sombras fortes ou ofuscamento.
Quarto: atenção ao levantar da cama
A cama não deve ser tão alta que dificulte apoiar os pés no chão, nem tão baixa que exija grande esforço para levantar. O espaço ao redor deve ficar livre de móveis, sapatos e objetos.
Telefone, campainha ou outro meio de pedir ajuda deve ficar ao alcance. Ao acordar, a pessoa pode sentar-se primeiro, apoiar os pés e levantar-se com calma, principalmente se costuma sentir tontura. Levantar no escuro ou apressadamente aumenta a insegurança.
Escadas e desníveis
Escadas devem ter corrimão firme e boa iluminação em todo o percurso. Quando possível, é útil haver apoio nos dois lados, conforme a necessidade da pessoa. Os degraus precisam estar livres de objetos e em bom estado.
Uma marcação visual na borda dos degraus pode ajudar quem tem dificuldade para perceber mudanças de altura. Desníveis entre cômodos também merecem atenção. Não deixe vasos, caixas ou outros itens próximos às escadas.
Escolha calçados mais seguros
Dentro de casa, prefira calçados firmes, confortáveis, que não escapem do pé e tenham sola com boa aderência. Andar apenas de meias pode facilitar escorregões. Chinelos frouxos, sem apoio adequado ou que saem facilmente do pé também podem aumentar o risco.
O calçado deve ser confortável e permitir caminhar sem arrastar os pés. Se a pessoa tem deformidades, dor ou muita dificuldade para escolher um modelo, pode ser necessário pedir orientação profissional.
Deixe os objetos usados com frequência ao alcance
Pratos, copos, roupas, alimentos e produtos de higiene devem ficar em locais acessíveis. Evite guardar itens importantes em prateleiras muito altas ou muito baixas.
Subir em bancos e cadeiras para alcançar objetos é uma situação de risco. Se algo está fora do alcance, outra pessoa deve ajudar. Também é melhor não carregar vários objetos ao mesmo tempo durante a caminhada.
Quando a casa não é o único problema
Uma adaptação ambiental pode não ser suficiente quando há quedas repetidas, desequilíbrio, fraqueza, tontura, visão reduzida, dor, dificuldade para caminhar ou receio de cair. Nesses casos, é importante avaliar a marcha, o equilíbrio, a força muscular, a visão e possíveis causas de tontura.
Os medicamentos também merecem revisão, principalmente quando começaram ou foram alterados recentemente. Alguns podem causar sonolência, queda da pressão ou piora do equilíbrio. Isso não significa suspender remédios por conta própria. A revisão deve ser feita com o profissional responsável.
A atividade física orientada pode ajudar a preservar força e equilíbrio, mas os exercícios precisam ser adequados às condições de cada pessoa. Quem já tem instabilidade importante pode precisar de supervisão de um fisioterapeuta ou outro profissional habilitado.
Para entender melhor a relação entre marcha e funcionalidade, veja também o conteúdo sobre idoso andando mais devagar e velocidade da marcha. A revisão dos medicamentos pode ser discutida em remédios que podem aumentar o risco de queda no idoso.
Sinais de alerta depois de uma queda
Depois de uma queda, procure atendimento com urgência se houver perda de consciência, confusão, sonolência incomum, dor intensa, deformidade, dificuldade para mexer um braço ou uma perna, falta de ar, vômitos, convulsão, sangramento ou dor de cabeça forte ou que piora.
Mesmo quando parece não haver ferimento, uma pessoa idosa que não consegue se levantar, não consegue apoiar o peso, fica muito diferente do habitual ou usa medicamentos que aumentam o risco de sangramento deve ser avaliada.
Não tente levantar a pessoa à força se houver dor importante ou suspeita de fratura. Mantenha-a segura e peça ajuda.
Quando procurar um geriatra
A avaliação geriátrica pode ser útil quando a pessoa:
- Caiu mais de uma vez ou passou a ter medo de cair.
- Anda mais devagar ou precisa se apoiar nos móveis.
- Tem tontura, fraqueza, sonolência ou alterações recentes na marcha.
- Enxerga pior ou tem dificuldade para se adaptar aos óculos.
- Usa vários medicamentos.
- Perdeu autonomia para banho, roupas, alimentação ou tarefas da casa.
Prevenir quedas é um processo contínuo. Organizar a casa, melhorar a iluminação, usar calçados estáveis e manter os objetos ao alcance são passos importantes. Mas também é preciso cuidar da visão, da força, do equilíbrio, da marcha e dos medicamentos quando esses fatores estiverem contribuindo para a insegurança.
