A fratura proximal do fêmur, também chamada de fratura de quadril, é uma lesão importante no idoso. Ela pode acontecer depois de uma queda da própria altura e não deve ser tratada como “apenas um osso quebrado”.
A dor e a dificuldade para se movimentar podem levar rapidamente à perda de força, dependência para tarefas simples, confusão mental, trombose, infecções, feridas na pele e outras complicações. Por isso, a avaliação hospitalar costuma ser necessária, mesmo quando a queda parece ter sido pequena.
Se a pessoa caiu, sente dor forte no quadril ou na coxa, não consegue apoiar o peso ou está com a perna aparentemente encurtada ou rodada, não tente levantá-la ou transportá-la em carro comum. Se não for seguro transportar, acione o SAMU pelo 192.
O que é a fratura proximal do fêmur?
O fêmur é o osso da coxa. Na sua parte superior fica a cabeça do fêmur, que se encaixa no quadril, além de regiões próximas chamadas colo e trocânteres. Uma fratura nessas áreas é frequentemente chamada de fratura de quadril.
No idoso, uma queda aparentemente simples pode causar uma fratura porque os ossos podem estar mais frágeis por causa da osteoporose. Alterações no equilíbrio, visão, força muscular, pressão arterial e uso de alguns medicamentos também aumentam o risco de quedas.
A fratura costuma provocar dor intensa, principalmente ao tentar mexer a perna ou apoiar o pé. Mas nem toda fratura apresenta o mesmo aspecto. Por isso, exames e avaliação médica são importantes.
Por que a fratura pode causar perda rápida de independência?
Antes da queda, a pessoa pode caminhar, tomar banho, cozinhar e cuidar da própria vida. Depois da fratura, pode precisar de ajuda para quase tudo.
A dor limita os movimentos. O medo de cair novamente também pode fazer a pessoa evitar andar. Com pouco movimento, ocorre perda de força muscular. Isso dificulta levantar da cama, sentar, ir ao banheiro e caminhar.
A internação e a mudança brusca de ambiente podem favorecer o delirium, uma confusão mental que começa de forma rápida e pode variar ao longo do dia. Pessoas com demência, problemas de visão ou audição e várias doenças têm maior risco, mas o delirium pode acontecer mesmo sem demência.
Ficar imóvel também aumenta o risco de trombose, prisão de ventre, retenção urinária, infecções respiratórias, lesões de pele e piora do estado nutricional. É por isso que o cuidado precisa olhar para a pessoa inteira, e não somente para a radiografia.
O que costuma acontecer na avaliação inicial?
No hospital, a equipe geralmente avalia:
- dor, circulação, sensibilidade e movimento da perna;
- sinais de outras lesões causadas pela queda;
- doenças já existentes, medicamentos e capacidade funcional antes da fratura;
- coração, pulmões, hidratação, nutrição e risco de confusão mental;
- exames de imagem e exames laboratoriais necessários para o planejamento do tratamento.
O controle da dor é importante. Uma pessoa com dor pode respirar pior, colaborar menos com os cuidados e ficar mais confusa. A equipe também avalia o risco de complicações e prepara o tratamento de forma individualizada.
Por que a cirurgia pode ser indicada?
Em muitas fraturas de quadril, a cirurgia é indicada para estabilizar a lesão ou substituir a parte danificada da articulação. Isso pode facilitar o controle da dor e permitir que a pessoa volte a se movimentar com mais segurança.
A decisão não depende apenas da idade. A equipe considera o tipo de fratura, as condições clínicas, os medicamentos em uso, a capacidade funcional antes da queda, os desejos da pessoa e os objetivos possíveis do cuidado.
A cirurgia também tem riscos. Por isso, o caso costuma envolver ortopedia, anestesia, geriatria ou clínica médica, enfermagem, fisioterapia e outros profissionais. A diretriz do NICE recomenda planejamento multidisciplinar, cirurgia em tempo adequado e mobilização precoce quando for seguro. Ainda assim, não existe um prazo único que sirva para todos.
Por que evitar ficar deitado por muito tempo?
O repouso prolongado favorece perda de força, trombose, pneumonia, feridas na pele e dependência. Por isso, a equipe costuma avaliar a possibilidade de sentar, ficar em pé e caminhar com ajuda assim que for seguro, muitas vezes após a cirurgia.
A mobilização deve ser orientada pela fisioterapia e pela equipe assistente. A família não deve puxar a pessoa pelos braços, tentar levantá-la sozinha ou improvisar transferências. Uma queda durante a recuperação pode causar outra lesão.
A recuperação pode ser gradual e variar bastante. Fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem, nutrição e acompanhamento médico ajudam a trabalhar força, equilíbrio, alimentação, autocuidado e adaptação da casa.
Leia também: Idoso ficou mais fraco depois da internação: como recuperar a funcionalidade com segurança.
Cuidados para reduzir complicações
Prevenção do delirium
A família pode ajudar mantendo relógio, calendário e objetos conhecidos próximos. Óculos e aparelhos auditivos devem ser usados quando disponíveis. Falar com calma, explicar onde a pessoa está e favorecer o sono noturno também ajuda.
Hidratação e alimentação devem seguir a orientação da equipe. Evite oferecer remédios por conta própria, inclusive medicamentos para dormir.
Trombose, infecções e lesões de pele
Fraturas do quadril aumentam o risco de trombose. A equipe pode indicar medidas para reduzir esse risco, conforme as condições da pessoa e o risco de sangramento. Não inicie nem suspenda medicamentos sem orientação.
Mudança de posição, inspeção da pele, higiene, exercícios orientados e mobilização segura ajudam a prevenir lesões. Tosse, falta de ar, febre, dor ou inchaço importante em uma perna precisam ser comunicados rapidamente.
Também é importante observar constipação, dificuldade para urinar, sonolência excessiva e piora repentina da confusão.
Depois da alta: o que a família deve perguntar?
Antes de voltar para casa, pergunte:
- Quando e como a pessoa pode sentar, ficar em pé e caminhar?
- Será necessário andador ou outro apoio?
- Quais exercícios foram orientados?
- Quem acompanhará a fisioterapia e as consultas?
- Como devem ser feitas as transferências e o banho?
- Quais sinais exigem retorno ao hospital?
- A casa precisa de barras de apoio, retirada de tapetes ou melhor iluminação?
- Houve revisão dos medicamentos que podem aumentar o risco de queda?
- A pessoa será investigada para osteoporose?
A prevenção de uma nova fratura inclui avaliar visão, audição, equilíbrio, força, pressão, alimentação e medicamentos. Veja também: Remédios que podem aumentar o risco de queda no idoso: quando revisar a prescrição.
A investigação de osteoporose também é importante, inclusive em homens idosos. Saiba mais em Osteoporose em homens idosos: homem também pode ter? Quando investigar.
Quando procurar um geriatra?
O geriatra pode ajudar quando há várias doenças, muitos medicamentos, perda de autonomia, demência, desnutrição, risco de delirium ou dificuldade para organizar a recuperação em casa.
A consulta pode contribuir para alinhar o tratamento aos objetivos da pessoa, revisar fatores de risco, apoiar a reabilitação e planejar a prevenção de novas quedas. O acompanhamento não substitui a ortopedia, a fisioterapia ou a equipe que realizou o atendimento, mas integra esses cuidados.
Perguntas frequentes
Toda fratura de quadril precisa de cirurgia?
Não necessariamente. A indicação depende do tipo de fratura, das condições clínicas, da funcionalidade anterior e dos objetivos da pessoa. A decisão deve ser feita pela equipe responsável.
A pessoa pode voltar a andar?
Muitas pessoas recuperam parte importante da mobilidade, mas o resultado varia. Depende da saúde antes da queda, da fratura, das complicações e da participação na reabilitação. Não é seguro prometer um resultado ou prazo.
A fratura pode acontecer sem uma grande queda?
Sim. Em ossos frágeis, uma queda da própria altura pode ser suficiente. Uma dor persistente no quadril após uma queda merece avaliação.
Confusão depois da cirurgia é demência?
Não necessariamente. Confusão que começa de repente pode ser delirium, provocado por dor, internação, infecção, alterações de medicamentos ou outras causas. Deve ser comunicada à equipe, pois precisa de avaliação.
A fratura proximal do fêmur exige atenção rápida e cuidado coordenado. Quanto mais cedo a equipe controla a dor, avalia as condições clínicas, planeja o tratamento e inicia a mobilização segura, maiores são as oportunidades de proteger a autonomia — sempre respeitando os limites e os objetivos de cada pessoa.
