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12 de outubro de 2026

Idoso com tontura ou confusão: quando os remédios podem estar aumentando o risco de queda?

Tontura, sonolência, confusão e quedas podem ter relação com medicamentos, especialmente após mudanças no tratamento. Saiba quando revisar a prescrição e quais sinais exigem avaliação rápida.

RPPor Rodrigo Patriota · Médico Geriatra

Tontura, sonolência, confusão, pressão baixa e perda de equilíbrio podem estar relacionadas aos medicamentos — principalmente quando vários remédios são usados ao mesmo tempo ou quando houve uma mudança recente no tratamento. Mas isso não significa que todo sintoma seja causado por um remédio.

Infecções, desidratação, alterações da pressão, problemas neurológicos, alterações do coração e outras doenças também podem provocar esses sinais. Por isso, o mais seguro é investigar e fazer uma revisão organizada dos medicamentos com um médico ou farmacêutico. Não pare, dobre ou reduza nenhum remédio por conta própria.

Como os remédios podem aumentar o risco de queda?

Com o envelhecimento, o organismo pode absorver, distribuir e eliminar os medicamentos de maneira diferente. Além disso, alguns idosos têm alterações na visão, na força muscular, na marcha, na memória ou no equilíbrio. Um efeito que seria pequeno em outra idade pode se tornar mais importante.

Dependendo do medicamento e da combinação utilizada, podem surgir:

  • tontura ao levantar;
  • queda da pressão;
  • sonolência durante o dia;
  • visão turva;
  • confusão ou desorientação;
  • fraqueza e lentidão;
  • perda de equilíbrio;
  • necessidade urgente de ir ao banheiro, aumentando o risco de tropeços;
  • dificuldade para reagir rapidamente a um obstáculo.

O risco pode aumentar quando vários medicamentos são usados juntos. Também merece atenção quando o sintoma aparece depois de iniciar um remédio, aumentar uma dose, trocar um produto ou acrescentar um medicamento sem receita, suplemento ou planta medicinal.

Isso não quer dizer que todos os medicamentos devam ser suspensos. Muitos são importantes para controlar doenças e prevenir complicações. A questão é avaliar se cada tratamento continua necessário, se há combinações que precisam de atenção e se os benefícios ainda superam os riscos para aquela pessoa.

Quais grupos de medicamentos merecem revisão?

A revisão pode incluir medicamentos para dormir ou para ansiedade, alguns remédios para dor, pressão alta, coração, alergia, depressão, convulsões e outros tratamentos que podem causar sonolência, queda da pressão ou alteração do equilíbrio.

Também é importante conferir medicamentos vendidos sem receita, antialérgicos, relaxantes musculares, suplementos e produtos naturais. “Sem receita” não significa que sejam sempre seguros para pessoas idosas ou que não possam interagir com outros tratamentos.

O objetivo não é procurar um culpado de forma automática. É entender o conjunto: quais remédios são usados, em quais horários, há quanto tempo, em que condições de saúde e com quais outros produtos.

Como saber se pode ser efeito de remédio ou uma doença nova?

Algumas pistas ajudam, mas não substituem uma avaliação profissional. Anote:

  • quando a tontura, a confusão ou a sonolência começou;
  • se o sintoma apareceu após iniciar ou mudar algum medicamento;
  • se ocorre ao levantar, depois das refeições ou em determinado horário;
  • se houve vômitos, diarreia, febre, pouca ingestão de água ou perda de apetite;
  • se a pessoa caiu, bateu a cabeça ou perdeu a consciência;
  • se houve palpitação, falta de ar, dor, fraqueza ou alteração da fala.

Mesmo quando existe uma relação de tempo com um remédio, isso não prova que ele seja a causa. Uma infecção, desidratação ou alteração neurológica pode coincidir com uma mudança na prescrição. A confusão que começa de repente, por exemplo, merece atenção, porque pode ter várias causas e não deve ser atribuída automaticamente ao envelhecimento ou aos medicamentos.

Quando procurar atendimento rapidamente?

Procure avaliação rápida ou serviço de emergência se houver:

  • confusão súbita ou dificuldade importante para despertar;
  • desmaio ou queda com perda de consciência;
  • fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
  • fala enrolada, dificuldade para compreender ou alteração súbita da visão;
  • dor no peito, falta de ar ou palpitações intensas;
  • queda com batida na cabeça, dor forte ou suspeita de fratura;
  • convulsão;
  • piora rápida do estado geral.

Nessas situações, não espere apenas uma consulta de rotina para ver se melhora. Leve, se possível, as embalagens ou uma lista dos medicamentos usados.

O que levar para uma revisão dos medicamentos?

Uma revisão fica mais segura quando a informação está completa. Separe:

  1. Lista atualizada com nome dos medicamentos, horários e motivo de uso, se souber.
  2. Receitas, caixas e frascos, inclusive os que são usados apenas de vez em quando.
  3. Medicamentos sem receita, vitaminas, suplementos e produtos naturais.
  4. Descrição dos sintomas, com data de início, duração e relação com os horários.
  5. Registro de quedas, quase quedas, desmaios ou episódios de confusão.
  6. Informações sobre pressão, alimentação, ingestão de líquidos, sono e mudanças recentes na rotina.

Se a pessoa tiver dificuldade de memória, a presença de um familiar ou cuidador pode ajudar. O importante é evitar listas incompletas ou nomes aproximados.

Por que não é seguro parar um remédio sozinho?

Parar de repente alguns medicamentos pode causar piora da doença, sintomas de retirada ou outras complicações. Reduzir ou dobrar a quantidade também pode ser perigoso. Às vezes, o problema não está em um único remédio, mas na combinação, no horário, na função dos rins, na hidratação ou em uma doença que surgiu recentemente.

O médico ou farmacêutico pode avaliar o tratamento como um todo e discutir mudanças de forma gradual e acompanhada, quando forem necessárias.

Como a avaliação geriátrica pode ajudar?

Na geriatria, a prescrição não é analisada separadamente do restante da vida da pessoa. A avaliação pode considerar:

  • quedas e quase quedas;
  • memória, atenção e confusão;
  • pressão sentado e em pé;
  • marcha, equilíbrio e força;
  • visão, audição e sono;
  • função dos rins e outras condições de saúde;
  • autonomia para organizar e tomar os remédios;
  • objetivos, preferências e rotina do idoso.

Essa abordagem ajuda a buscar um tratamento mais seguro e adequado às prioridades da pessoa. Para organizar os horários e reduzir esquecimentos ou duplicidades, veja também Como organizar os medicamentos do idoso. E, para medidas dentro de casa, confira Como prevenir quedas em idosos dentro de casa.

Quando procurar um geriatra?

O geriatra pode ser procurado quando o idoso apresenta tontura recorrente, confusão, sonolência excessiva, quedas ou muitas mudanças na prescrição. Também é útil quando diferentes médicos acompanham a pessoa e a família tem dúvidas sobre a combinação dos tratamentos.

A consulta não serve apenas para “tirar remédios”. Ela ajuda a entender o que é necessário, o que precisa ser acompanhado e quais riscos podem ser reduzidos.

Perguntas frequentes

Todo idoso que usa muitos medicamentos terá confusão ou queda?

Não. O risco pode aumentar, mas depende dos medicamentos, das combinações, das condições de saúde e da situação de cada pessoa.

A tontura sempre significa que o remédio está forte demais?

Não. Tontura também pode ocorrer por desidratação, infecção, alterações da pressão, problemas do coração, visão, ouvido ou sistema nervoso. É preciso avaliar.

Posso suspender um remédio até falar com o médico?

Não faça isso sem orientação. Entre em contato com o profissional responsável ou procure atendimento, especialmente se os sintomas forem intensos ou começaram de forma súbita.

O farmacêutico pode ajudar?

Sim. O farmacêutico pode ajudar a conferir a lista, os horários, duplicidades e possíveis problemas de uso. Mudanças no tratamento devem ser combinadas com o profissional responsável.

A queda foi leve. Ainda assim é preciso revisar os remédios?

Se houve queda, quase queda, tontura ou confusão, vale informar a equipe de saúde. Mesmo uma queda sem ferimento pode indicar um risco que precisa ser investigado.

Perguntas dos leitores

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Rodrigo Patriota, médico geriatra em Recife

Quem escreveu

Rodrigo Patriota

Médico Geriatra · CRM-PE 18751 · RQE 11136

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco há mais de 15 anos, com residência em Clínica Médica pelo Hospital Otávio de Freitas e em Geriatria pela Universidade de Pernambuco. Mestre em Educação pela Faculdade Pernambucana de Saúde, preceptor da Residência Médica em Cardiologia do PROCAPE, pesquisador clínico e perito judicial.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Pernambuco (2025–2027). Atende em Recife e Vitória de Santo Antão.