Para a primeira consulta com o geriatra, leve a relação completa dos medicamentos, exames e relatórios relevantes, caderneta de saúde e um resumo do que mudou na rotina. Anote também duas ou três preocupações principais e o que a pessoa idosa deseja preservar ou voltar a fazer.
Não é preciso organizar tudo perfeitamente. Embalagens de remédios, fotografias legíveis e uma linha do tempo simples já podem ajudar o geriatra a compreender o conjunto da situação.
O que levar à primeira consulta com o geriatra
Se possível, prepare este checklist:
- documento de identificação e cartão do SUS ou do plano de saúde, quando aplicável;
- receitas atuais e outras que ajudem a entender o tratamento;
- lista, embalagens ou fotografias dos medicamentos;
- vitaminas, suplementos, chás, fitoterápicos, fórmulas manipuladas e produtos sem receita;
- exames relacionados aos principais problemas de saúde;
- relatórios de internações, cirurgias e acompanhamento com outros profissionais;
- lista de alergias, intolerâncias e reações anteriores a medicamentos;
- registros de pressão, glicemia, peso ou outros dados acompanhados em casa;
- caderneta de saúde e comprovantes de vacinação;
- óculos, aparelho auditivo, bengala, andador ou outros dispositivos usados no cotidiano;
- nome ou contato dos profissionais que acompanham a pessoa, quando isso puder facilitar a comunicação;
- papel ou celular para registrar as orientações.
Não é necessário levar todos os exames feitos ao longo da vida. Priorize os mais recentes, aqueles relacionados às condições mais importantes e os relatórios de alta hospitalar. Um exame antigo pode ser útil quando permite comparar a evolução de uma alteração.
Como organizar os medicamentos
Inclua tudo o que é utilizado todos os dias ou apenas de vez em quando. Para cada produto, registre, se souber:
- nome do medicamento ou princípio ativo;
- concentração indicada na embalagem;
- quantidade realmente utilizada;
- horários ou frequência de uso;
- forma de uso, como comprimido, gotas, colírio, pomada ou inalador;
- motivo pelo qual foi iniciado;
- há quanto tempo é usado e quem indicou.
Uma tabela simples pode ajudar:
| Produto | Concentração | Quanto usa | Horário | Motivo do uso |
|---|---|---|---|---|
Não se esqueça de vitaminas, suplementos, chás, fitoterápicos e medicamentos comprados sem receita. Esses produtos também precisam ser considerados na revisão do tratamento.
Se alguma informação estiver faltando, não tente adivinhar. Leve a embalagem original ou fotografias nítidas da frente, do verso e da orientação de uso. Isso pode facilitar a revisão de situações em que existem muitos remédios em uso, além da identificação de duplicidades, possíveis interações, efeitos indesejados e dificuldades para seguir o tratamento.
Não interrompa, reduza ou substitua medicamentos por conta própria enquanto aguarda a consulta. Qualquer mudança precisa considerar o motivo do tratamento, os benefícios esperados, os riscos e as preferências da pessoa.
Qual caderneta levar?
Leve a caderneta que já utiliza, mesmo que esteja incompleta. A página atual do Ministério da Saúde apresenta o instrumento como Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa.
Ela pode reunir informações sobre medicamentos, condições de saúde, consultas, exames, vacinas, vulnerabilidades e assuntos que precisam ser conversados com os profissionais. A versão vigente pode ser consultada na página oficial do Ministério da Saúde.
Faça um resumo do que mudou
Uma linha do tempo curta pode ser mais útil do que uma lista extensa de diagnósticos. Tente responder:
- O que mudou e quando começou?
- A mudança apareceu de forma súbita ou gradual?
- Está melhorando, piorando ou permanece igual?
- Como isso interfere nas atividades do dia a dia?
- Houve queda, infecção, internação ou mudança de medicamento perto do início?
Vale relatar alterações em:
- memória, atenção e organização de tarefas;
- comportamento, humor e interesse pelas atividades;
- sono e sonolência durante o dia;
- apetite, peso, mastigação ou deglutição;
- força, equilíbrio e maneira de caminhar;
- visão e audição;
- controle da urina e do intestino;
- capacidade para tomar banho, vestir-se e alimentar-se;
- preparo de refeições, compras, transporte e tarefas domésticas;
- administração dos medicamentos e das finanças.
Informe todas as quedas, mesmo quando não houve fratura. Conte também sobre engasgos, internações recentes e episódios em que a pessoa ficou mais confusa ou dependente do que costuma ser.
Se a preocupação principal for o esquecimento, veja também como se preparar para uma primeira avaliação de memória.
Quais perguntas fazer ao geriatra?
Leve as perguntas por escrito e comece pelas mais importantes. Algumas possibilidades são:
- Quais problemas devem ser priorizados agora?
- Para que serve cada medicamento e quais ainda fazem sentido quando avaliados em conjunto?
- Pode haver duplicidade, interação ou efeito adverso entre remédios, suplementos e chás?
- O que devo fazer se esquecer uma dose ou tiver dificuldade para seguir o tratamento?
- As alterações de memória, humor ou sono precisam de avaliação mais detalhada?
- Como estão a força, o equilíbrio e o risco de quedas?
- A perda de peso, a falta de apetite ou a dificuldade para engolir precisam ser investigadas?
- Quais vacinas e medidas preventivas são adequadas ao meu contexto?
- Quais exames são necessários agora e quais não precisam ser repetidos?
- O que deve ser observado em casa até o retorno?
- Quais sinais exigem atendimento antes da próxima consulta?
- Qual é o plano e quem ficará responsável por cada etapa?
Não é necessário discutir tudo em um único encontro. Duas ou três prioridades bem definidas já oferecem um bom começo.
Três frases para começar a conversa
Quando houver muitos assuntos, complete estas frases antes da consulta:
- “O que mais me preocupa hoje é...”
- “A mudança que mais atrapalhou minha rotina foi...”
- “O que eu mais gostaria de continuar fazendo ou voltar a fazer é...”
Elas ajudam a apresentar as prioridades da pessoa, e não apenas uma lista de doenças.
O que o geriatra costuma avaliar?
A consulta geriátrica não se limita à idade, a uma doença específica ou à solicitação de exames. Conforme as necessidades de cada pessoa, a avaliação pode abranger:
- doenças, sintomas e tratamentos atuais;
- medicamentos e possíveis efeitos indesejados;
- memória, raciocínio e capacidade de organização;
- humor e saúde emocional;
- força, equilíbrio, marcha e histórico de quedas;
- alimentação, peso, mastigação e deglutição;
- visão e audição;
- sono e continência;
- autonomia nas atividades cotidianas;
- apoio familiar e social;
- segurança e condições da moradia;
- objetivos, preferências e prioridades da pessoa idosa.
Essa abordagem é conhecida como avaliação geriátrica multidimensional. Ela integra informações clínicas, funcionais, cognitivas e psicossociais para ajudar a organizar um cuidado centrado na pessoa.
Nem todos os testes precisam ser realizados na primeira consulta. A quantidade de exames solicitados também não determina, isoladamente, a qualidade do atendimento. A investigação depende dos sintomas, do histórico, da funcionalidade, dos riscos identificados e dos objetivos individuais.
Quando existem perda de força, redução da autonomia ou quedas repetidas, por exemplo, pode ser importante avaliar sinais de fragilidade na pessoa idosa.
Precisa ir acompanhado?
Não obrigatoriamente. Uma pessoa autônoma, que conhece seu histórico e consegue se comunicar bem, pode ir sozinha se essa for sua preferência.
O acompanhante pode ajudar quando há:
- dificuldade de memória, audição ou comunicação;
- uso de muitos medicamentos;
- internação recente;
- mudanças importantes de comportamento ou autonomia;
- necessidade de organizar consultas, exames e tratamentos.
O familiar ou cuidador pode complementar informações e ajudar a registrar o plano, mas deve permitir que a pessoa idosa fale sobre o que sente, suas prioridades e as decisões que considera aceitáveis.
Dependendo da situação, parte da conversa pode ocorrer diretamente entre o médico e a pessoa idosa. Isso ajuda a respeitar sua privacidade e sua participação nas decisões. O acompanhante deve apoiar a autonomia, não substituir a voz de quem está sendo cuidado.
Quando a abordagem geriátrica pode agregar valor?
A procura por uma avaliação geriátrica não depende apenas de completar determinada idade. Essa abordagem pode ser especialmente útil quando existem:
- várias doenças ou acompanhamento com diferentes especialistas;
- uso de muitos medicamentos;
- quedas, tontura ou dificuldade para caminhar;
- perda de peso, força ou autonomia;
- mudanças de memória, comportamento, humor ou sono;
- internações frequentes ou alta hospitalar recente;
- necessidade de organizar o apoio de familiares e cuidadores;
- dúvidas sobre prevenção, vacinação ou planejamento do cuidado;
- desejo de preservar independência e atividades importantes.
O objetivo é compreender como doenças, tratamentos, funcionalidade, ambiente e apoio disponível se relacionam com a rotina da pessoa.
Quando não esperar pela consulta marcada
A lista abaixo não reúne todas as situações de urgência. Procure atendimento imediato se houver:
- confusão mental que começou de repente;
- boca torta, fraqueza ou perda de sensibilidade de início súbito, principalmente em um lado do corpo;
- dificuldade súbita para falar, compreender ou enxergar;
- falta de ar súbita ou falta de ar em repouso;
- desmaio, perda de consciência ou convulsão;
- inchaço de língua, boca ou rosto acompanhado de dificuldade para respirar;
- queda com pancada na cabeça seguida de perda de consciência, vômitos, confusão, sonolência incomum, alteração da fala, nova fraqueza ou dor de cabeça que está piorando.
Boca torta, fraqueza súbita de um lado do corpo e alteração da fala podem indicar um acidente vascular cerebral. Diante desses sinais, acione imediatamente o SAMU pelo número 192.
Também ligue para o 192 diante de perda de consciência, convulsão, falta de ar súbita ou inchaço do rosto ou da língua com dificuldade para respirar. Se não for possível transportar a pessoa com segurança, acione o SAMU.
Se a pessoa usa medicamento anticoagulante, uma pancada na cabeça merece orientação médica rápida mesmo que ela inicialmente pareça bem. Na presença de qualquer um dos sinais de alerta descritos acima, procure atendimento imediatamente. Veja também quando procurar urgência após uma pancada na cabeça.
Quando houver suspeita de reação a medicamento ou outro produto, leve a embalagem ou uma fotografia, desde que isso não atrase o atendimento.
O que conferir antes de sair da consulta
Antes de encerrar o encontro, tente confirmar:
- quais prioridades foram definidas;
- como ficou o plano relacionado aos medicamentos;
- quais exames ou encaminhamentos foram solicitados;
- o que deve ser observado em casa;
- quais sinais exigem contato antecipado ou atendimento imediato;
- quando será o retorno;
- quem ficará responsável por cada etapa.
Se alguma orientação não estiver clara, peça que seja repetida em linguagem simples. Anote no papel ou no celular, conforme for mais confortável.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum?
A consulta em si não exige jejum. Faça jejum somente se houver orientação específica para uma coleta ou outro exame programado no mesmo dia. Não fique em jejum por conta própria.
Preciso levar todos os exames antigos?
Não. Priorize os exames recentes, os documentos relacionados aos principais problemas de saúde e os relatórios de internações ou cirurgias. Se estiver em dúvida, organize os documentos por data para facilitar a seleção durante a consulta.
Posso pedir uma revisão dos remédios?
Sim. A revisão do conjunto de medicamentos pode fazer parte da avaliação geriátrica. Inclua produtos sem receita, vitaminas, suplementos, chás, colírios, pomadas e inaladores.
E se eu não souber o nome ou a quantidade usada de um medicamento?
Leve a embalagem ou fotografias legíveis. Não tente completar a lista apenas de memória quando houver risco de registrar uma informação errada.
Preciso esperar completar 60 ou 65 anos?
A decisão de procurar uma avaliação geriátrica não depende apenas da idade. A complexidade dos tratamentos, o número de doenças, as quedas, as alterações funcionais ou de memória e os objetivos pessoais também devem ser considerados.
Quanto tempo dura a primeira consulta?
A duração varia conforme o serviço e a complexidade da situação. Confirme diretamente com o local de atendimento. Chegar com antecedência e levar as informações organizadas ajuda a aproveitar melhor o encontro.
Checklist para o dia da consulta
- Duas ou três prioridades principais
- Linha do tempo das mudanças recentes
- Lista, embalagens ou fotografias dos medicamentos
- Vitaminas, suplementos, chás e produtos sem receita
- Exames e relatórios relevantes
- Registro de alergias e reações a medicamentos
- Caderneta de saúde e comprovantes de vacinação
- Resumo de quedas, internações e atendimentos de urgência
- Óculos, aparelho auditivo e auxílio para caminhar
- Papel ou celular para registrar o plano
Preparar-se não significa transformar a consulta em um interrogatório. Significa reunir informações e prioridades para que médico, pessoa idosa e família possam decidir juntos o que precisa de atenção primeiro.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde — Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa
- Conass — Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa para a Atenção Primária à Saúde
- Ministério da Saúde — Portaria nº 1.771, de 21 de novembro de 2017
- National Institute on Aging — How To Prepare for a Doctor's Appointment
- Institute for Healthcare Improvement — My Health Checklist
- Ministério da Saúde — Acidente Vascular Cerebral
- NICE — Head injury: assessment and early management
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.
