Nota à edição: revisão médica obrigatória antes da publicação. Conferir a bula e o registro vigente de lecanemabe e donanemabe, pois critérios de indicação, segurança e acesso podem mudar. Não publicar automaticamente.
Os remédios para Alzheimer disponíveis no Brasil pertencem a dois grupos. Donepezila, rivastigmina, galantamina e memantina tratam principalmente sintomas cognitivos e funcionais. Donanemabe e lecanemabe atuam sobre a proteína beta-amiloide e podem desacelerar modestamente a progressão em pessoas cuidadosamente selecionadas com doença inicial.
Nenhum desses medicamentos cura o Alzheimer, recupera tudo o que já foi perdido ou funciona da mesma forma para todos. A escolha depende da fase da doença, da confirmação diagnóstica, de outras condições de saúde, dos riscos do tratamento e dos objetivos da pessoa e da família.
Quais remédios para Alzheimer existem no Brasil?
| Grupo | Medicamentos | Principal objetivo | Para quem podem ser considerados |
|---|---|---|---|
| Tratamentos sintomáticos | Donepezila, rivastigmina e galantamina | Atenuar temporariamente sintomas cognitivos e funcionais | Conforme a fase da doença e a avaliação clínica |
| Tratamento sintomático | Memantina | Atenuar sintomas e dificuldades funcionais | Principalmente nas fases moderada ou avançada |
| Terapias antiamiloide | Donanemabe e lecanemabe | Desacelerar o declínio clínico | Casos iniciais selecionados, com amiloide confirmado e critérios específicos de segurança |
Ter registro na Anvisa não significa incorporação automática ao SUS, cobertura pelos planos ou disponibilidade imediata no mercado. Essas etapas são diferentes e podem mudar ao longo do tempo.
Tratamentos tradicionais atuam principalmente nos sintomas
Donepezila, rivastigmina e galantamina são inibidores da acetilcolinesterase. Eles aumentam a disponibilidade da acetilcolina, substância envolvida na comunicação entre os neurônios. O benefício, quando ocorre, geralmente é discreto: alguma estabilidade por um período, piora mais lenta ou melhora limitada em atenção, comunicação e atividades diárias.
A memantina atua em outro sistema de neurotransmissão. É utilizada principalmente nas fases moderada ou avançada e, em algumas situações, pode ser associada a um dos medicamentos anteriores.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer do Ministério da Saúde contempla esses quatro tratamentos no SUS, mediante critérios clínicos e documentais. Eles continuam tendo papel importante mesmo após o surgimento das terapias antiamiloide.
Quais efeitos adversos merecem atenção?
Donepezila, rivastigmina e galantamina podem causar náusea, diarreia, redução do apetite, emagrecimento, alterações do sono, tontura e diminuição da frequência cardíaca. Em algumas pessoas, podem contribuir para desmaios e quedas. A memantina também pode provocar tontura ou confusão.
Em idosos, perda de peso, fragilidade, doença cardíaca, pressão baixa, função renal e uso de vários medicamentos podem mudar a relação entre benefício e risco. Por isso, não se deve iniciar, combinar, reduzir ou suspender esses remédios por conta própria. Também pode ser necessário revisar outros medicamentos associados a quedas.
O que mudou com donanemabe e lecanemabe?
O donanemabe, de nome comercial Kisunla, foi registrado pela Anvisa em 22 de abril de 2025. O lecanemabe, ou Leqembi, recebeu registro em 22 de dezembro de 2025, com divulgação institucional em janeiro de 2026.
Esses medicamentos são anticorpos monoclonais direcionados à beta-amiloide. Diferentemente dos tratamentos tradicionais, são classificados como terapias modificadoras da doença porque procuram remover depósitos de amiloide e desacelerar a evolução clínica.
Nos estudos, o efeito médio foi uma desaceleração modesta do declínio, não uma interrupção da doença. A pessoa ainda pode piorar ao longo do tempo, mesmo que o tratamento esteja produzindo algum benefício.
Quem pode ser elegível às terapias antiamiloide?
Lecanemabe e donanemabe não são indicados para qualquer pessoa com esquecimento nem para todas as fases do Alzheimer. Em geral, a avaliação envolve:
- comprometimento cognitivo leve devido ao Alzheimer ou demência leve por Alzheimer;
- confirmação de patologia amiloide, geralmente por PET amiloide ou exame do líquido cefalorraquidiano;
- ressonância magnética antes do tratamento e em momentos definidos durante o acompanhamento;
- avaliação do genótipo ApoE ε4;
- revisão de sangramentos cerebrais anteriores, suspeita de angiopatia amiloide e outras alterações da ressonância;
- análise do uso de anticoagulantes e de outras condições que aumentem o risco hemorrágico;
- capacidade de comparecer às infusões, exames e consultas de monitoramento.
No registro brasileiro, o lecanemabe está indicado a adultos não portadores ou heterozigotos para ApoE ε4, dentro dos demais critérios aprovados. Para o donanemabe, também devem ser observadas as condições genéticas e de segurança previstas na bula vigente.
O teste de ApoE não confirma sozinho o diagnóstico de Alzheimer. Ele ajuda a avaliar elegibilidade e risco, pois algumas variantes estão associadas a maior probabilidade de complicações relacionadas à amiloide.
Também não basta encontrar atrofia em um exame comum. A atrofia cerebral na ressonância precisa ser interpretada no contexto clínico e não substitui a confirmação da patologia amiloide.
Como são administrados e monitorados?
Os dois tratamentos são intravenosos. O lecanemabe é administrado em infusões quinzenais, enquanto o donanemabe utiliza infusões mensais, conforme seus protocolos. A logística exige serviço preparado para administrar a medicação, observar reações à infusão e organizar ressonâncias seriadas.
O principal risco específico é chamado de ARIA, sigla em inglês para alterações de imagem relacionadas à amiloide. Elas podem aparecer como edema cerebral ou pequenos sangramentos na ressonância. Muitas não causam sintomas, mas algumas podem ser graves.
Dor de cabeça importante, confusão nova, alteração visual, fraqueza, dificuldade de fala, convulsão ou outra mudança neurológica aguda durante o tratamento exigem avaliação rápida. O médico pode precisar interromper temporária ou definitivamente as infusões, de acordo com o quadro e com o protocolo do medicamento.
Como saber se o remédio está ajudando?
A resposta não deve ser julgada apenas por um teste de memória. O acompanhamento pode considerar:
- autonomia para banho, alimentação e vestuário;
- organização de compromissos e medicamentos;
- participação em conversas e atividades;
- orientação dentro e fora de casa;
- apatia, agitação e alterações do sono;
- segurança para caminhar e realizar tarefas;
- necessidade de supervisão;
- peso, frequência cardíaca, quedas e outros efeitos adversos;
- sobrecarga do cuidador.
Como o Alzheimer é progressivo, estabilidade por algum tempo pode representar um resultado relevante. Em uma pessoa isolada, porém, não é possível saber exatamente como seria a evolução sem o medicamento. Avaliações seriadas são mais úteis do que esperar uma melhora rápida ou dramática.
E os remédios para agitação ou alucinações?
Agitação não deve levar automaticamente ao uso de um calmante. Dor, infecção, constipação, retenção urinária, desidratação, privação de sono e efeitos de outros medicamentos podem causar ou agravar mudanças de comportamento.
Quando medidas não medicamentosas são insuficientes e existe sofrimento importante ou risco, o médico pode considerar tratamentos específicos. Como alguns desses fármacos aumentam sonolência, quedas e outros eventos adversos, o objetivo e a necessidade de continuidade devem ser reavaliados.
O tratamento vai além dos medicamentos
Atividade física adaptada, correção de problemas de visão e audição, alimentação adequada, rotina previsível, prevenção de quedas, convívio social e apoio ao cuidador continuam essenciais. Organizar o cuidado do idoso com várias doenças também ajuda a evitar tratamentos conflitantes.
Jogos e exercícios cognitivos podem ser atividades prazerosas, mas não substituem o cuidado médico. Veja também o que sabemos sobre treino cognitivo e prevenção de demência.
Quando procurar um geriatra
Uma avaliação geriátrica pode ajudar quando há:
- perda de memória com impacto nas atividades diárias;
- dúvida sobre o diagnóstico ou a fase da doença;
- interesse em entender a elegibilidade para terapias antiamiloide;
- emagrecimento, desmaios, tontura ou quedas após iniciar um remédio;
- uso de muitos medicamentos, anticoagulantes ou doenças simultâneas;
- agitação, alucinações, inversão do sono ou sobrecarga do cuidador;
- necessidade de equilibrar longevidade, autonomia, segurança e conforto.
Confusão que começa de repente não deve ser atribuída automaticamente ao Alzheimer. Infecção, desidratação, AVC e efeitos de medicamentos precisam ser considerados. Mudança neurológica súbita, convulsão ou perda de consciência requer atendimento imediato.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor remédio para Alzheimer?
Não existe um único melhor tratamento para todos. A escolha depende da fase, confirmação diagnóstica, riscos, outras doenças, medicamentos em uso e prioridades da pessoa e da família.
Lecanemabe e donanemabe curam Alzheimer?
Não. Eles podem desacelerar modestamente o declínio em pessoas selecionadas com doença inicial, mas não recuperam funções já perdidas nem interrompem definitivamente a progressão.
Esses medicamentos podem ser usados no Alzheimer avançado?
Os registros e estudos concentram-se no comprometimento cognitivo leve ou na demência leve por Alzheimer. Eles não devem ser interpretados como tratamento para fases moderadas ou avançadas.
Quem começa uma terapia nova deve suspender os remédios tradicionais?
Não necessariamente. Os grupos têm objetivos diferentes e podem coexistir em determinadas situações. Qualquer mudança deve ser definida pela equipe responsável, nunca feita por conta própria.
Suplementos podem substituir o tratamento?
Não há suplemento comprovado capaz de curar o Alzheimer. Vitaminas podem ser necessárias quando existe deficiência documentada, mas seu uso indiscriminado não substitui diagnóstico, acompanhamento e um plano de cuidado individualizado.
